Vimos na aula passada o fim da escravidão. A abolição não foi algo isolado naquele momento histórico pro Brasil, fazia parte de toda uma iniciativa de modernização, uma vontade de crescimento dos nascentes burgueses, impulsos por participação política dos proprietários de terra, enfim. Inclusive, em 1870 vai surgir o Partido republicano, que vai ganhar muitos adeptos no sudeste. Várias questões incomodavam os mais críticos da elite, o Estado e a Igreja continuarem juntos era visto como um grave problema. Houve também a Guerra do Paraguai, da qual o Brasil saiu vitorioso e os participantes com idéias republicanas, o exército voltou mais forte e coeso, desgosto dos poucos privilégios e liberdade que tinham no regime monárquico, que privilegiava a Guarda Nacional (organização para militar sustentada pelos grandes latifundiários e coronéis). O imperador D. Pedro II até tentou fazer algumas reformas liberais, mas as pressões pela república eram muito fortes e, em 1889 estourou o golpe da república, liderado pelo Marechal Deodoro da Fonseca. A novíssima republica pregava a ordem e o progresso, separou a igreja do estado, modificou-se o ensino e os símbolos monárquicos por novos símbolos republicanos. Mas, como na independência, pra grande maioria nada mudou, não participaram e pouco foram afetados pelas mudanças.
Esse período inicial da Republica, que vai durar até os anos 30 com o governo de Vargas, vai ser chamado de republica das oligarquias. O que é oligarquia, é o poder nas mãos de poucos, os ricos, donos de terras, normalmente com títulos de coronéis controlavam o voto dos seus estados e queriam autonomia para seus estados. A gente vai chamar aí esse voto controlado, que se você não votasse no coronel ela mandava o capanga te matar era chamado o voto de cabresto. Durante a primeira republica, no governo de Deodoro da Fonseca o ministro da fazenda na época Rui Barbosa quis incentivar a industrialização dando crédito livre a quem se propusesse a abrir uma industria. A política não deu muito certo, muitas empresas fantasmas foram criadas, houve inflação, criou-se a chamada crise do encilhamento. A Deodoro da Fonseca seguiu-se Floriano Peixoto, também militar, e a ele seguiu-se Prudente de Moraes, o primeiro não-militar, que representava o interesse dos cafeicultores. Durante o governo de Prudente de Moraes ocorreu no sertão da Bahia algo inédito. Um religioso, Antonio Conselheiro convenceu multidões a formarem uma comunidade chamada Canudos, na qual as pessoas viveriam igualmente, plantando e colhendo e rezando, uma alternativa às suas vidas de miséria. Bom, como essas pessoas eram trabalhadores quase escravos das grandes propriedades do nordeste os donos das terras logo acionaram o governo federal acusando Canudos de um movimento monarquista, ou seja, que queria a volta do rei, que desafiava a autoridade do presidente da republica e mais. Logo o presidente enviou tropas e destruiu a comunidade, matando muitos.
Bom gente, a economia continuava liderada pelo café, e a extração da borracha na região norte também crescia. O governo alternava entre presidentes mineiros e presidentes paulistas, no que era chamado a política do café com leite, já que são Paulo produzia café e minas criava gado. Além disso, a política dos governadores era forte, e era a escolha dos governadores baseado nos interesses do presidente, independente de quem tivesse sido eleito. Os coronéis também continuavam, controlando as cidades, trocando votos por favores. O Café nos anos 20 porém começou a cair, por que as vendas caíram e muito, o Brasil produzia muito, principalmente para a Europa, com a guerra a Europa passou a consumir menos e depois acabou consumindo de outros produtores além do Brasil. O resultado foi uma superprodução de café, que fez com que o governo tivesse que comprar o café extra e queima-lo para normalizar seu preço. A industrialização brasileira vai começar aí nessa época também, por conta da guerra não tínhamos mais de quem importar muitas coisas, por que antes importávamos da Europa. Foi preciso produzir certos produtos então, numa iniciativa que foi chamada substituição de importações. A urbanização nessa época foi enorme também, as pessoas foram buscar empregos nas industrias nascentes, no comércio, na administração publica, no ensino, enfim. As tentativas de modernização eram claras, e as cidades queriam parecer com as cidades européias. No rio vai haver um grande esforço de modernização por exemplo. Uma ocasião conhecida foi quando se tentou vacinar a população obrigatoriamente contra a varíola e o povo não quis se vacinar, por que não sabiam o que era aquilo, tiveram medo e se revoltaram. Ficou conhecido como a revolta da vacina.
Em 1922 houve a semana da arte moderna de são Paulo. Os grandes poetas, escritores, artistas plásticos, pintores, todos se reuniram e mostraram que queriam uma quebra com o passado colonial, queriam um novo Brasil feito pra brasileiros sem a Europa decidindo tudo pela gente. Os poucos operários já se organizavam e queriam direitos trabalhistas, faziam greves e organizavam sindicatos. O Partido Comunista Brasileiro se organizava. Surgem também os movimentos tenentistas, que eram feitos por jovens militares e se manifestavam contra a corrupção, a má administração pública. A Coluna Prestes, liderada por Luis Carlos Prestes, que lá na frente vai se opor a Vargas, também é um movimento tenentista contrario ao governo, mas que também não obteve sucesso.
Os anos 30 entraram com ares de mudança. Muita insatisfação, pouca estabilidade política, disputas pelo poder, até que explodiu o que já era evidente. Getulio Vargas, após um golpe, assume o poder. Seu governo tinha tudo para ser diferente e efetivamente perseguir a modernização. Vargas cria o ministério do trabalho buscando criar legislação trabalhista, quer valorização a Mao de obra brasileira, mas não é democrático, subiu no poder com um golpe, fechou o congresso, nomeou interventores nos governos estaduais.Em 1932 logo surgiu uma contestação, o movimento constitucionalista em são Paulo, querendo um governo liberal e a retirada de Vargas do poder. A resposta de Vargas não foi tão agressiva, visto que esse pessoal que participou do movimento era a classe média e a elite. Em 1934 lança uma Constituição, que oficializa as eleições, o presidencialismo, o federalismo ( a divisão em Estados relativamente autônomos) e a legislação trabalhista. Mas ainda assim, a situação não estava plenamente estável.
Lá na Europa o que tá acontecendo nessa época? Hitler tá no poder, o nazismo tá crescendo de um lado, e a URSS tá funcionando do outro. No Brasil tivemos um espelho disso, tínhamos o Partido Comunista de um lado e o Partido Integralista do outro. O integralismo era uma espécie de nazismo adaptado, que tinha um símbolo, cor, saudação, enfim, e era liderado por Plinio Salgado. O Vargas tava bem mais pro lado dos integralistas que dos comunistas, inclusive um episodio mostra bem isso. Lembram do Luis Carlos Prestes, da Coluna Prestes? Ele virou comunista e se apaixonou por uma moça alemã da liderança trabalhista de lá, a Olga Benário. O Vargas prendeu os dois, mandou a Olga, que tava aqui no Brasil, pra Alemanha, pro campo de concentração, tirou o filho dela e tal, terrível. O Partido Comunista foi colocado na ilegalidade, mas continuava crescendo e o Vargas tinha medo do poder que eles tavam ganhando. Inclusive tentaram uma revolução, mas que fracassou. Um jeito que o Vargas achou de calar o PCB e o Prestes foi inventando uma enorme mentira, com a ajuda do partido integralista. Inventou nos jornais que havia descoberto um plano dos comunistas pra derruba-lo do poder e instalar o comunismo e que, para proteger o país dessa ameaça comunista era preciso entrar numa ditadura comandada por ele. Esperto, não? Declarou estado de guerra e elaborou uma nova constituição, super autoritária, o chamado Estado Novo.
No Estado Novo tínhamos uma ditadura, o Vargas era o centro de tudo. Era o pai dos pobres, fazia políticas ditas populistas pro povo gostar dele, colocou censura na imprensa, a polícia perseguia e prendia quem se opunha a ele, controlava os sindicatos. Mas, apesar de toda a repressão e autoritarismo, nossa economia melhorou bastante na época. Bom, sabiam que participamos da segunda guerra mundial? Poisé, participamos e em troca ganhamos a Companhia Siderurgica Nacional, a CSN aqui em volta Redonda. Houve uma nascente industrialização, o governo incentivava os investimentos.
Bom, mas é claro, as oposições eram fortíssimas, até mesmo dentro do governo. Vargas acabou optando pela abertura política e prometeu eleições, legalizou o partido comunista. Havia os que ainda queriam Vargas no poder, o grupo chamado de queremistas. Vargas acabou saindo do poder, mas foi eleito um novo presidente apoiado por ele, Eurico Gaspar Dutra. Nas eleições seguintes Vargas se candidatou e ganhou, assumindo em 1950. Dessa vez, Vargas veio com a campanha O Petroleo é Nosso, que criou a Petrobrás, incentivou a economia com forte controle do Estado. Nessa época não apenas comunistas eram contra Vargas, ele ainda tinha resquícios de autoritarismo e estava cada vez mais difícil conter a oposição. Uma das maiores oposições vinha de Carlos Lacerda que publicava matérias ácidas na imprensa sobre o presidente. A coisa estoura quando um funcionário da guarda pessoal de Vargas atira contra Carlos Lacerda, no que ficou conhecido como o atentado da Toneleros, aquela rua ali em Copacabana. O cara não acertou e acabou matando um militar que estava com Lacerda. Vargas deixou claro que não ia mais suportar as pressões, quando até mesmo os militares ficaram contra ele. Ele deixa o governo com o suicídio, em 1954, deixando uma carta ao povo brasileiro que dizia que ele saía da vida para entrar na história.
Bom, diz-se que o suicídio foi a última manobra política de Getúlio que fez o país chorar sua morte e enraivecer-se contra oposicionistas. Assume seu vice e depois há eleições normais. É eleito então Juscelino Kubtischek com o vice João Goulart, getulista de carteirinha. Aí o resto fica pra próxima aula.
História
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Crise do Sistema Colonial e Império (I e II)
Então, acho que todos aqui sabem que Pedro Alvares Cabral chegou ao Brasil em 1500, diz-se que ele descobriu o Brasil, apesar de que o Brasil não precisava ser descoberto, por que já havia gente aqui, os índios. Mas enfim, hoje não vamos falar do Brasil colônia, vamos falar do fim desse sistema, as crises que acabaram culminando com a independência.
Os brasileiros, e é importante lembrar que nessa época aí, lá no final de 1700, já havia brasileiros, tanto filhos de português quanto filhos de portugueses e índios, e até mesmo filhos de escravos com portugueses, que, continuam sendo escravos, não estavam contentes com a dominação portuguesa. As pessoas queriam poder enriquecer livremente, sem ter que dar satisfações absurdas à coroa. Nessa época aí por exemplo, estávamos no ciclo do ouro, a parte mais rica do país era Minas Gerais, todos procurando ouro por lá, os comerciantes abastecendo, enfim, a prosperidade era algo que podia haver. Mas, quando alguém descobria ouro, a quinta parte do todo pertencia à coroa. E não só em relação ao ouro, os impostos eram muitos e absurdos, em relação ao comércio, aos escravos, a exploração açucareira, do ouro, diamantes, enfim. E não era só a população pobre que estava descontente. A elite também queria crescer, mas não podia vender livremente, não podia explorar livremente os recursos do país, por conta do pacto colonial (lembram o que é o pacto?). Ainda por cima a elite via Portugal nas mãos das grandes potências européias, a Inglaterra e a França. Sabia-se que Portugal não era mais a potência que havia sido. Na Europa, as idéias de liberdade floresciam, lembram que falamos do iluminismo, da revolução francesa? As elites brasileiras tão indo pra Europa estudar, e voltam pensando em liberdade, em progresso, coisas que não combinavam com o mercantilismo, com o colonialismo. E aí as coisas começaram a fervilhar na colônia, diversas pequenas revoltas estouravam contra os impostos, contra efeitos do colonialismo, e algumas revoltas vão surgir questionando o sistema colonial.
A Inconfidência mineira foi a primeira tentativa, organizada pela elite de minas gerais, de mudar a situação. Como eu falei pra vocês, esse pessoal foi pra Europa e voltou, tendo visto a revolução francesa, a revolução industrial, ouvindo falar da independência dos estados unidos da América. Eles também queriam liberdade. Os inconfidentes, dentre eles o famoso Tiradentes, combinaram de realizar a revolta no dia da cobrança da derrama, que era a cobrança dos impostos atrasados. Eles queriam a independência, queriam a instalação de um modelo como o americano, uma república, com eleições gerais periódicas. Mas, como membros da elite que eram, não decidiram nada sobre o que fariam quanto a escravidão. Então, qual foi o resultado? Nem aconteceu. Um dos inconfidentes dedurou os outros, e todo mundo foi preso. O Tiradentes sofreu a pior pena, tendo sido o membro mais simplório do grupo, teve seu corpo esquartejado e espalhado pela cidade, para mostrar o que aconteceria a quem tentasse se revoltar contra a coroa.
Uma outra tentativa de romper com a ordem foi a conjuração, ou inconfidência baiana. Essa revolta tinha um caráter popular, dela participavam soldados e outros membros da classe mais pobre. Assim, eles defendiam a liberdade, a igualdade social, e o fim da escravidão. A revolta se daria por meio da divulgação de panfletos e idéias revolucionárias, assim, o governador da Bahia acabou por descobrir as movimentações e prendeu diversos membros. Assim, mais uma revolta, também chamada de conjuração dos alfaiates, foi frustrada.
Bom, essas revoltas só mostraram a insatisfação tanto das elites quanto do povo com o sistema colonial, com a impossibilidade de liberdade, com os impostos, com a subordinação a um país europeu decadente. Então gente, vamos voltar só um pouquinho lá pra Europa. Estamos aí em 1800, alguém lembra o que tava acontecendo na frança nessa época? Revolução francesa tinha começado em 1789, agora, a frança estava no domínio de Napoleão, e lembram que eu disse que o Napoleão saiu se expandindo? Então, ele chegou na porta de Portugal, e a família real portuguesa, entre eles D. João VI, foi aconselhada pela Inglaterra, que tava lutando contra Napoleão, a fugirem pro Brasil. Então, em 1808 a família real e grande parte da corte portuguesa chegam ao Brasil. Aí as coisas começam a mudar, pelas próprias mãos do príncipe regente, eu digo príncipe regente e não rei por que a rainha ainda era viva, a Maria, a Louca, mas não governava mais por que tinha enlouquecido. D. João VI declarou o Brasil parte do Reino Unido de Portugal e Algarves, ou seja, o Brasil passou a ter status igual ao português, os portos brasileiros foram abertos às nações que tivessem relações com Portugal, e aí vemos a entrada dos produtos ingleses com tudo no Brasil. Portugal estava na mão dos ingleses, o Brasil também ficou. E aí estava tudo na boa por aqui, lá em Portugal o pessoal queria que o rei, que virou rei quando a Maria louca morreu, voltasse, e aí o negócio ficou feio. Em 1820 uma revolta lá em Portugal exigiu o retorno do rei e a recolonização, o D. João VI voltou, mas seu filho D. Pedro ficou. Ele tendo ficado, uma maioria dos brasileiros queria a independência, havia fortes pressões. D. Pedro então declara, em 7 de setembro de 1822 a independência, mantendo a monarquia, a escravidão, e as desigualdades. Pouco mudou, mas nos tornamos independentes.
Bom, então se as coisas não mudaram de verdade, as revoltas continuaram. Uma das principais revoltas desse período vai ser a confederação do equador em 1824. Essa revolta foi uma tentativa de secessão de alguns estados do nordeste, dentre eles o Ceará e Pernambuco. A radicalização do movimento foi feita pelos setores mais populares, e, inclusive, foi proposto o fim da escravidão. Eles queriam uma república, eram liberais. Bom, é claro, a repressão foi rápida e pesada.
No primeiro império, de D. Pedro I, houve a Guerra do Paraguai, a população não estava nada satisfeita com o governo, que enfrentava dificuldades econômicas e políticas e uma mão pesada e autoritária do imperador, além disso, o imperador se envolvia com questões da nobreza portuguesa, e isso assustava os brasileiros.Assim, D. Pedro I abdicou do trono, e voltou pra Portugal, deixando seu filho o outro Pedro na regência. Iniciou-se então o período regencial, que foi extremamente instável, e nele houve várias novas revoltas. Dentre elas a sabinada, a cabanagem, a sabinada, a balaiada, a revolta dos malês e a farroupilha.
Todas as revoltas receberam forte repressão, e, quando D. Pedro II atingiu uma maioridade que inclusive foi antecipada, a estabilidade retornou minimamente, inclusive com a expansão da economia cafeeira. No vale do Paraíba o café crescia, as elites enriqueciam. Mão de obra escrava, grandes propriedades baseadas na monocultura, ou seja, com um só produto. Mas as coisas começaram a mudar em relação a mão de obra.
O Brasil já havia assinado algumas leis internacionais reduzindo o trafico. A lei Eusébio de Queiroz, que proibia o tráfico internacional de escravos, o que aumentou o preço dos escravos, a lei do sexagenário, que libertava escravos maiores de 60 anos. Vários movimentos já estavam sendo feitos em direção a abolição, mas a efetiva abolição só foi feita em 1888. Era preciso buscar alternativas, que mesmo antes da abolição já estavam sendo buscadas, e a alternativa foi os imigrantes que vinham da Europa. Italianos, principalmente, vinham buscando melhores opções de vida. Vinham trabalhar no cultivo do café, e foram quase escravos, afinal os donos das terras estavam acostumados com escravos. Logo se fez uma lei, a Lei da Terra, que proibia os imigrantes de se apropriarem de terras.
Enfim, resumindo, o país tinha mudado, não havia mais escravos, apesar de que os negros passaram um bom sem opções melhores do que trabalhar em condições quase escravos, assim como os imigrantes. Eramos uma monarquia, cujo imperador era D. Pedro II, produzíamos café e exportávamos para o mundo.
Os brasileiros, e é importante lembrar que nessa época aí, lá no final de 1700, já havia brasileiros, tanto filhos de português quanto filhos de portugueses e índios, e até mesmo filhos de escravos com portugueses, que, continuam sendo escravos, não estavam contentes com a dominação portuguesa. As pessoas queriam poder enriquecer livremente, sem ter que dar satisfações absurdas à coroa. Nessa época aí por exemplo, estávamos no ciclo do ouro, a parte mais rica do país era Minas Gerais, todos procurando ouro por lá, os comerciantes abastecendo, enfim, a prosperidade era algo que podia haver. Mas, quando alguém descobria ouro, a quinta parte do todo pertencia à coroa. E não só em relação ao ouro, os impostos eram muitos e absurdos, em relação ao comércio, aos escravos, a exploração açucareira, do ouro, diamantes, enfim. E não era só a população pobre que estava descontente. A elite também queria crescer, mas não podia vender livremente, não podia explorar livremente os recursos do país, por conta do pacto colonial (lembram o que é o pacto?). Ainda por cima a elite via Portugal nas mãos das grandes potências européias, a Inglaterra e a França. Sabia-se que Portugal não era mais a potência que havia sido. Na Europa, as idéias de liberdade floresciam, lembram que falamos do iluminismo, da revolução francesa? As elites brasileiras tão indo pra Europa estudar, e voltam pensando em liberdade, em progresso, coisas que não combinavam com o mercantilismo, com o colonialismo. E aí as coisas começaram a fervilhar na colônia, diversas pequenas revoltas estouravam contra os impostos, contra efeitos do colonialismo, e algumas revoltas vão surgir questionando o sistema colonial.
A Inconfidência mineira foi a primeira tentativa, organizada pela elite de minas gerais, de mudar a situação. Como eu falei pra vocês, esse pessoal foi pra Europa e voltou, tendo visto a revolução francesa, a revolução industrial, ouvindo falar da independência dos estados unidos da América. Eles também queriam liberdade. Os inconfidentes, dentre eles o famoso Tiradentes, combinaram de realizar a revolta no dia da cobrança da derrama, que era a cobrança dos impostos atrasados. Eles queriam a independência, queriam a instalação de um modelo como o americano, uma república, com eleições gerais periódicas. Mas, como membros da elite que eram, não decidiram nada sobre o que fariam quanto a escravidão. Então, qual foi o resultado? Nem aconteceu. Um dos inconfidentes dedurou os outros, e todo mundo foi preso. O Tiradentes sofreu a pior pena, tendo sido o membro mais simplório do grupo, teve seu corpo esquartejado e espalhado pela cidade, para mostrar o que aconteceria a quem tentasse se revoltar contra a coroa.
Uma outra tentativa de romper com a ordem foi a conjuração, ou inconfidência baiana. Essa revolta tinha um caráter popular, dela participavam soldados e outros membros da classe mais pobre. Assim, eles defendiam a liberdade, a igualdade social, e o fim da escravidão. A revolta se daria por meio da divulgação de panfletos e idéias revolucionárias, assim, o governador da Bahia acabou por descobrir as movimentações e prendeu diversos membros. Assim, mais uma revolta, também chamada de conjuração dos alfaiates, foi frustrada.
Bom, essas revoltas só mostraram a insatisfação tanto das elites quanto do povo com o sistema colonial, com a impossibilidade de liberdade, com os impostos, com a subordinação a um país europeu decadente. Então gente, vamos voltar só um pouquinho lá pra Europa. Estamos aí em 1800, alguém lembra o que tava acontecendo na frança nessa época? Revolução francesa tinha começado em 1789, agora, a frança estava no domínio de Napoleão, e lembram que eu disse que o Napoleão saiu se expandindo? Então, ele chegou na porta de Portugal, e a família real portuguesa, entre eles D. João VI, foi aconselhada pela Inglaterra, que tava lutando contra Napoleão, a fugirem pro Brasil. Então, em 1808 a família real e grande parte da corte portuguesa chegam ao Brasil. Aí as coisas começam a mudar, pelas próprias mãos do príncipe regente, eu digo príncipe regente e não rei por que a rainha ainda era viva, a Maria, a Louca, mas não governava mais por que tinha enlouquecido. D. João VI declarou o Brasil parte do Reino Unido de Portugal e Algarves, ou seja, o Brasil passou a ter status igual ao português, os portos brasileiros foram abertos às nações que tivessem relações com Portugal, e aí vemos a entrada dos produtos ingleses com tudo no Brasil. Portugal estava na mão dos ingleses, o Brasil também ficou. E aí estava tudo na boa por aqui, lá em Portugal o pessoal queria que o rei, que virou rei quando a Maria louca morreu, voltasse, e aí o negócio ficou feio. Em 1820 uma revolta lá em Portugal exigiu o retorno do rei e a recolonização, o D. João VI voltou, mas seu filho D. Pedro ficou. Ele tendo ficado, uma maioria dos brasileiros queria a independência, havia fortes pressões. D. Pedro então declara, em 7 de setembro de 1822 a independência, mantendo a monarquia, a escravidão, e as desigualdades. Pouco mudou, mas nos tornamos independentes.
Bom, então se as coisas não mudaram de verdade, as revoltas continuaram. Uma das principais revoltas desse período vai ser a confederação do equador em 1824. Essa revolta foi uma tentativa de secessão de alguns estados do nordeste, dentre eles o Ceará e Pernambuco. A radicalização do movimento foi feita pelos setores mais populares, e, inclusive, foi proposto o fim da escravidão. Eles queriam uma república, eram liberais. Bom, é claro, a repressão foi rápida e pesada.
No primeiro império, de D. Pedro I, houve a Guerra do Paraguai, a população não estava nada satisfeita com o governo, que enfrentava dificuldades econômicas e políticas e uma mão pesada e autoritária do imperador, além disso, o imperador se envolvia com questões da nobreza portuguesa, e isso assustava os brasileiros.Assim, D. Pedro I abdicou do trono, e voltou pra Portugal, deixando seu filho o outro Pedro na regência. Iniciou-se então o período regencial, que foi extremamente instável, e nele houve várias novas revoltas. Dentre elas a sabinada, a cabanagem, a sabinada, a balaiada, a revolta dos malês e a farroupilha.
Todas as revoltas receberam forte repressão, e, quando D. Pedro II atingiu uma maioridade que inclusive foi antecipada, a estabilidade retornou minimamente, inclusive com a expansão da economia cafeeira. No vale do Paraíba o café crescia, as elites enriqueciam. Mão de obra escrava, grandes propriedades baseadas na monocultura, ou seja, com um só produto. Mas as coisas começaram a mudar em relação a mão de obra.
O Brasil já havia assinado algumas leis internacionais reduzindo o trafico. A lei Eusébio de Queiroz, que proibia o tráfico internacional de escravos, o que aumentou o preço dos escravos, a lei do sexagenário, que libertava escravos maiores de 60 anos. Vários movimentos já estavam sendo feitos em direção a abolição, mas a efetiva abolição só foi feita em 1888. Era preciso buscar alternativas, que mesmo antes da abolição já estavam sendo buscadas, e a alternativa foi os imigrantes que vinham da Europa. Italianos, principalmente, vinham buscando melhores opções de vida. Vinham trabalhar no cultivo do café, e foram quase escravos, afinal os donos das terras estavam acostumados com escravos. Logo se fez uma lei, a Lei da Terra, que proibia os imigrantes de se apropriarem de terras.
Enfim, resumindo, o país tinha mudado, não havia mais escravos, apesar de que os negros passaram um bom sem opções melhores do que trabalhar em condições quase escravos, assim como os imigrantes. Eramos uma monarquia, cujo imperador era D. Pedro II, produzíamos café e exportávamos para o mundo.
Crise de 29 e Segunda Guerra Mundial
Então, falamos na aula passada da primeira guerra mundial e da revolução russa. O que de mais importante vocês tem que guardar? As conseqüências da Primeira GM. A Europa sofreu mudanças importantes, o mundo. O mapa europeu tornou-se mais fragmentado, os impérios deixaram de existir, os EUA emergiram como a nova grande potência, houve crise econômica na Europa. E quanto à Alemanha? Falamos do Tratado de Versalhes. O Tratado de Versalhes foi uma marca da paz dos vencedores. Ele estabeleceu regras que colocaram a Alemanha numa posição um tanto desagradável. Ela perdeu todas as terras conquistadas, por exemplo a Alsácia Lorena que volta para as mãos da França. A Alemanha é obrigada a reduzir seus recursos militares a quase nada, e para piorar, é obrigada a pagar pesadas indenizações de guerra para a França, como se a Alemanha tivesse sido a única responsável.
Bom, aí é importante a gente ver que a Alemanha ficou muito abalada internamente. Como eu falei pra vocês aula passada, a Alemanha entrou em uma grave crise econômica, com inflação absurda. Apesar dessa crise, os EUA continuavam crescendo, crescendo. Os países europeus lentamente saiam da crise gerada pela guerra e começavam a participar do jogo econômico internacional, tentando pagar suas dívidas aos EUA. Os EUA então, como eu disse continuavam crescendo, recebendo dinheiro da Europa, que vinha das dividas, produzindo em massa. O dinheiro que chegava bancava a produção que só crescia nos anos 20. Os empresários atuavam sem nenhum controle do Estado, no verdadeiro liberalismo econômico.
Aí veio o problema. Eles produziam tanto, tanto, sem controle, que produziram demais, e não tinha gente pra comprar. Com muitos produtos no mercado e pouca gente querendo comprar, os preços estavam lá embaixo. E aí as empresas começaram a falir. Nisso, os donos de ações na bolsa ficaram desesperados e começaram a vender seus papéis. Essas ações correspondiam a partes das empresas, em capital, que as pessoas compravam para participarem dos lucros, ganharem parte dos lucros. E aí quando as empresas começaram a falir as pessoas começaram a não querer mais aquelas ações, por que da mesma forma que ganhariam quando as empresas ganhassem, eles perderiam quando ela perdesse dinheiro. Esse desespero fez com que todo mundo que tinha ações quisesse sair fora do mercado de ações, se livrar do que tinham. Pronto, o Crack da Bolsa de Valores de 1929. Essa é a data X da Crise. Quando a situação ficou feia mesmo. Com a falência total de muitas empresas houve desemprego altíssimo. O desemprego atingiu a classe média e baixa de uma forma absurda, as pessoas estavam na miséria, muita gente se suicidou. Foi terrível. E, como a economia mundial já era um tanto integrada, com esses empréstimos e troca de mercadorias, a crise atingiu o resto do mundo também. Enfim, foi uma crise generalizada e terrível.
Em 1932, com um novo presidente, os EUA tentam mudar as estruturas econômicas para evitar que a crise piore ou ocorra tão profunda novamente. Ele lança o New Deal. Agora, querem bem mais controles do Estado, do governo, na economia, querem a economia ligada aos interesses do povo, protegendo os trabalhadores. Os excessos de produção foram comprados e queimados pelo governo, para restaurar os preços normais. Fez-se obras públicas para gerar empregos. Mas o negócio só melhorou mesmo depois da Segunda Guerra Mundial.
Voltando a Europa. As coisas na Alemanha continuavam feias. A crise econômica e política abalava as estruturas do país, a população estava vulnerável, e qualquer governo que resolvesse a crise econômica, desse estabilidade e coragem pro povo alemão seria bem vindo. E quem foi esse salvador da pátria? Hitler.
Hitler pregava idéias de pareciam se encaixar muito bem naquele contexto de uma Alemanha derrotada, fraca, em crise. Ele dizia que o povo alemão, a raça ariana, era superior aos outros. Dizia que aquela raça, e daí dizermos que o nazismo é racista, era superior e deveria dominar o mundo, humilhando as raças inferiores. Entre os inferiores estavam os judeus, e daí o anti-semitismo, os latinos, os negros, os eslavos, homossexuais, ciganos, deficientes. Enfim, o cara era preconceito puro, e pregava isso pra população alemã, que se sentia o máximo acreditando naquilo que o líder deles dizia. Vale lembrar que primeiro Hitler tentou dar um golpe para subir ao poder, mas não conseguiu, e só sobe ao poder de forma legal, democraticamente eleito. Hitler reorganizou a Alemanha militarmente, defendendo uma disciplina extrema, que anulava o individuo enquanto individuo e tornava-o parte do coletivo, do povo alemão. Pelo militarismo extremo, o corpo era supervalorizado, o poder se concentrava todo na mão de Hitler, que era chamado Fuher. Então guardem, o regime instaurado por Hitler era nazista, ou seja, totalitário, racista, anti-semita, militarista.
Inclusive gente, o Hitler era mesmo o que a gente pode chamar de um cara do mal, ou maluco, não sei. Ele não só odiava os judeus, ele resolveu elimina-los. Ele mandou os judeus pros campos de concentração, que eram lugares onde eles deveriam morar e trabalhar como escravos, quase sem comida. A intenção dele era sustentar a guerra, claro, e por isso precisava do trabalho, mas também queria eliminar a diferença de dentro da Alemanha, e por isso matou os judeus. Nos campos de concentração, mandava os judeus pra a camara de gás, onde eles achavam que iam tomar banho, mas que acabavam respirando um gás venenoso, que logo os matava.
É isso aí galera, horrível. Assim cresceu o nazismo na Alemanha e o fascismo na Italia, o fascismo era quase igual ao nazismo, sua diferença era só no âmbito da organização econômica.
Bom, a Alemanha queria a revanche da França, queria terras, queria se expandir. A Itália também queria terras, queria poder, o Japão também. Aí que nem na outra guerra, começou a história dos amiguinhos. Esses três países se uniram numa aliança chamada o Eixo. A Alemanha não tava nem ligando, começou seu processo de expansão em busca de constituir a Grande Alemanha, e a França e a Inglaterra tavam tão pouco a fim de guerra, que ficaram só olhando e dizendo “tudo bem, pode invadir, mas depois chega”. Essa política era chamada de apaziguamento. A URSS fez seus próprios acordos com Hitler, dizendo que não agrediria a Alemanha desde que a Alemanha não entrasse na URSS.
O Japão invadiu então uma parte da China, a Manchuria. A Italia invadiu a Etiópia, na Africa, e a Albania, na Europa. Aí veio a Alemanha. Invadiu uma região desmilitarizada, a Austria, os Sudetos, que era ali na fronteira com polônia e Checoslováquia, a própria Checoslováquia, e enfim a Polonia. Quando ela invadiu a polônia, aí foi o limite do apaziguamento inglês e Frances, era preciso conter Hitler.
Contra o Eixo, havia os Aliados, constituídos inicialmente por Inglaterra e Franca, e depois com os EUA e URSS.
A Alemanha era muito forte, sua técnica de guerra, a Blitzkrieg, mal dava tempo para o inimigo reagir, assim a Alemanha foi se expandindo, e inclusive conseguiu invadir e dominar parte da França, que foi denominado o governo de Vichy, que apoiava Hitler. A Alemanha só teve dificuldades ao tentar entrar na Inglaterra, por que tinha uma marinha não tão boa quanto seu exercito e aeronáutica. Vale lembrar que apesar de não ter conseguido tomar a Inglaterra, eles fizeram grandes ataques aéreos, que deixaram na ilhar graves marcas da guerra. Ao não conseguir invadir a Inglaterra a Alemanha se voltou contra a URSS, o que provou sua entrada, em 1941. Eles inicialmente conseguiram entrar, mas na Batalha de Stalingrado, já no final de 1942 eles foram finalmente detidos. Do lado asiático, o Japão continuava a se expandir, até que em 1941 bombardeou a base aérea de Pearl Habor, no Havaí, provocando a entrada dos EUA no conflito. A entrada dos EUA no conflito para muitos foi decisiva. Houve o famoso Dia D, no qual os aliados chegaram a região da Normandia na França, que estava ocupada pelos alemães, e os expulsaram de lá. Com a chegada dos soviéticos em Berlim, a Alemanha se rendeu, já em 45, com o suicídio de Hitler. O Japão, por outro lado, ainda que lutando sozinho (já que a Itália também já tinha se rendido com o assassinato de Mussolini), continuou na guerra e só se rendeu em meados de 45, após o ataque norte-americano com bombas atômicas às cidades de Hiroshima e Nagasaki.
Ok. Acabou a Segunda Guerra Mundial com o lançamento das duas bombas atômicas que devastaram duas cidades japonesas. A Alemanha foi derrotada, a Itália foi derrotada, o Japão foi derrotado. Saíram vitoriosos a Inglaterra, a França, e, os mais importantes para a próxima matéria, a URSS e os EUA. Então, muitos dizem que a bomba era desnecessária, e que seu lançamento foi uma demonstração de força dos EUA para a URSS em um contexto de Guerra Fria.
Ok, a Guerra Fria. O que vocês precisam saber? Que a Guerra Fria era uma “guerra” sem conflito direto entre as duas superpotências, a URSS, socialista, e os EUA, capitalistas. Por que não tinha conflito? Por que eles tinham armas nucleares e se eles se atacassem todo mundo ia morrer. Os conflitos ocorriam nas colônias, na áfrica e na Ásia. Como por exemplo a Guerra do Vietnã, onde os EUA queriam que tivesse capitalismo e a URSS queria socialismo, cada um apoiava um grupo armado vietnamita, mas os dois não se enfrentaram direito. Então vamos parar por aí, numa possível aula extra vamos falar do fim dessa história. Só lembrando que isso aí é tipo anos 60, 70, 80.
Bom, aí é importante a gente ver que a Alemanha ficou muito abalada internamente. Como eu falei pra vocês aula passada, a Alemanha entrou em uma grave crise econômica, com inflação absurda. Apesar dessa crise, os EUA continuavam crescendo, crescendo. Os países europeus lentamente saiam da crise gerada pela guerra e começavam a participar do jogo econômico internacional, tentando pagar suas dívidas aos EUA. Os EUA então, como eu disse continuavam crescendo, recebendo dinheiro da Europa, que vinha das dividas, produzindo em massa. O dinheiro que chegava bancava a produção que só crescia nos anos 20. Os empresários atuavam sem nenhum controle do Estado, no verdadeiro liberalismo econômico.
Aí veio o problema. Eles produziam tanto, tanto, sem controle, que produziram demais, e não tinha gente pra comprar. Com muitos produtos no mercado e pouca gente querendo comprar, os preços estavam lá embaixo. E aí as empresas começaram a falir. Nisso, os donos de ações na bolsa ficaram desesperados e começaram a vender seus papéis. Essas ações correspondiam a partes das empresas, em capital, que as pessoas compravam para participarem dos lucros, ganharem parte dos lucros. E aí quando as empresas começaram a falir as pessoas começaram a não querer mais aquelas ações, por que da mesma forma que ganhariam quando as empresas ganhassem, eles perderiam quando ela perdesse dinheiro. Esse desespero fez com que todo mundo que tinha ações quisesse sair fora do mercado de ações, se livrar do que tinham. Pronto, o Crack da Bolsa de Valores de 1929. Essa é a data X da Crise. Quando a situação ficou feia mesmo. Com a falência total de muitas empresas houve desemprego altíssimo. O desemprego atingiu a classe média e baixa de uma forma absurda, as pessoas estavam na miséria, muita gente se suicidou. Foi terrível. E, como a economia mundial já era um tanto integrada, com esses empréstimos e troca de mercadorias, a crise atingiu o resto do mundo também. Enfim, foi uma crise generalizada e terrível.
Em 1932, com um novo presidente, os EUA tentam mudar as estruturas econômicas para evitar que a crise piore ou ocorra tão profunda novamente. Ele lança o New Deal. Agora, querem bem mais controles do Estado, do governo, na economia, querem a economia ligada aos interesses do povo, protegendo os trabalhadores. Os excessos de produção foram comprados e queimados pelo governo, para restaurar os preços normais. Fez-se obras públicas para gerar empregos. Mas o negócio só melhorou mesmo depois da Segunda Guerra Mundial.
Voltando a Europa. As coisas na Alemanha continuavam feias. A crise econômica e política abalava as estruturas do país, a população estava vulnerável, e qualquer governo que resolvesse a crise econômica, desse estabilidade e coragem pro povo alemão seria bem vindo. E quem foi esse salvador da pátria? Hitler.
Hitler pregava idéias de pareciam se encaixar muito bem naquele contexto de uma Alemanha derrotada, fraca, em crise. Ele dizia que o povo alemão, a raça ariana, era superior aos outros. Dizia que aquela raça, e daí dizermos que o nazismo é racista, era superior e deveria dominar o mundo, humilhando as raças inferiores. Entre os inferiores estavam os judeus, e daí o anti-semitismo, os latinos, os negros, os eslavos, homossexuais, ciganos, deficientes. Enfim, o cara era preconceito puro, e pregava isso pra população alemã, que se sentia o máximo acreditando naquilo que o líder deles dizia. Vale lembrar que primeiro Hitler tentou dar um golpe para subir ao poder, mas não conseguiu, e só sobe ao poder de forma legal, democraticamente eleito. Hitler reorganizou a Alemanha militarmente, defendendo uma disciplina extrema, que anulava o individuo enquanto individuo e tornava-o parte do coletivo, do povo alemão. Pelo militarismo extremo, o corpo era supervalorizado, o poder se concentrava todo na mão de Hitler, que era chamado Fuher. Então guardem, o regime instaurado por Hitler era nazista, ou seja, totalitário, racista, anti-semita, militarista.
Inclusive gente, o Hitler era mesmo o que a gente pode chamar de um cara do mal, ou maluco, não sei. Ele não só odiava os judeus, ele resolveu elimina-los. Ele mandou os judeus pros campos de concentração, que eram lugares onde eles deveriam morar e trabalhar como escravos, quase sem comida. A intenção dele era sustentar a guerra, claro, e por isso precisava do trabalho, mas também queria eliminar a diferença de dentro da Alemanha, e por isso matou os judeus. Nos campos de concentração, mandava os judeus pra a camara de gás, onde eles achavam que iam tomar banho, mas que acabavam respirando um gás venenoso, que logo os matava.
É isso aí galera, horrível. Assim cresceu o nazismo na Alemanha e o fascismo na Italia, o fascismo era quase igual ao nazismo, sua diferença era só no âmbito da organização econômica.
Bom, a Alemanha queria a revanche da França, queria terras, queria se expandir. A Itália também queria terras, queria poder, o Japão também. Aí que nem na outra guerra, começou a história dos amiguinhos. Esses três países se uniram numa aliança chamada o Eixo. A Alemanha não tava nem ligando, começou seu processo de expansão em busca de constituir a Grande Alemanha, e a França e a Inglaterra tavam tão pouco a fim de guerra, que ficaram só olhando e dizendo “tudo bem, pode invadir, mas depois chega”. Essa política era chamada de apaziguamento. A URSS fez seus próprios acordos com Hitler, dizendo que não agrediria a Alemanha desde que a Alemanha não entrasse na URSS.
O Japão invadiu então uma parte da China, a Manchuria. A Italia invadiu a Etiópia, na Africa, e a Albania, na Europa. Aí veio a Alemanha. Invadiu uma região desmilitarizada, a Austria, os Sudetos, que era ali na fronteira com polônia e Checoslováquia, a própria Checoslováquia, e enfim a Polonia. Quando ela invadiu a polônia, aí foi o limite do apaziguamento inglês e Frances, era preciso conter Hitler.
Contra o Eixo, havia os Aliados, constituídos inicialmente por Inglaterra e Franca, e depois com os EUA e URSS.
A Alemanha era muito forte, sua técnica de guerra, a Blitzkrieg, mal dava tempo para o inimigo reagir, assim a Alemanha foi se expandindo, e inclusive conseguiu invadir e dominar parte da França, que foi denominado o governo de Vichy, que apoiava Hitler. A Alemanha só teve dificuldades ao tentar entrar na Inglaterra, por que tinha uma marinha não tão boa quanto seu exercito e aeronáutica. Vale lembrar que apesar de não ter conseguido tomar a Inglaterra, eles fizeram grandes ataques aéreos, que deixaram na ilhar graves marcas da guerra. Ao não conseguir invadir a Inglaterra a Alemanha se voltou contra a URSS, o que provou sua entrada, em 1941. Eles inicialmente conseguiram entrar, mas na Batalha de Stalingrado, já no final de 1942 eles foram finalmente detidos. Do lado asiático, o Japão continuava a se expandir, até que em 1941 bombardeou a base aérea de Pearl Habor, no Havaí, provocando a entrada dos EUA no conflito. A entrada dos EUA no conflito para muitos foi decisiva. Houve o famoso Dia D, no qual os aliados chegaram a região da Normandia na França, que estava ocupada pelos alemães, e os expulsaram de lá. Com a chegada dos soviéticos em Berlim, a Alemanha se rendeu, já em 45, com o suicídio de Hitler. O Japão, por outro lado, ainda que lutando sozinho (já que a Itália também já tinha se rendido com o assassinato de Mussolini), continuou na guerra e só se rendeu em meados de 45, após o ataque norte-americano com bombas atômicas às cidades de Hiroshima e Nagasaki.
Ok. Acabou a Segunda Guerra Mundial com o lançamento das duas bombas atômicas que devastaram duas cidades japonesas. A Alemanha foi derrotada, a Itália foi derrotada, o Japão foi derrotado. Saíram vitoriosos a Inglaterra, a França, e, os mais importantes para a próxima matéria, a URSS e os EUA. Então, muitos dizem que a bomba era desnecessária, e que seu lançamento foi uma demonstração de força dos EUA para a URSS em um contexto de Guerra Fria.
Ok, a Guerra Fria. O que vocês precisam saber? Que a Guerra Fria era uma “guerra” sem conflito direto entre as duas superpotências, a URSS, socialista, e os EUA, capitalistas. Por que não tinha conflito? Por que eles tinham armas nucleares e se eles se atacassem todo mundo ia morrer. Os conflitos ocorriam nas colônias, na áfrica e na Ásia. Como por exemplo a Guerra do Vietnã, onde os EUA queriam que tivesse capitalismo e a URSS queria socialismo, cada um apoiava um grupo armado vietnamita, mas os dois não se enfrentaram direito. Então vamos parar por aí, numa possível aula extra vamos falar do fim dessa história. Só lembrando que isso aí é tipo anos 60, 70, 80.
Primeira Guerra Mundial e Revolução Russa
A Primeira Guerra Mundial (1914-18)
A I Guerra Mundial é o acontecimento que realmente dá início ao século XX, pondo fim ao que se convencionou chamar de Belle Epoque – 1871-1914: período em que as grandes potências européias não entraram em guerra entre si e a burguesia viveu sua época de maior fastígio, graças à expansão do capitalismo imperialista e à exploração imposta ao proletariado.
Os fatores que provocaram a I Guerra Mundial podem ser divididos em gerais e específicos.
Fatores gerais
• Disputa dos mercados internacionais pelos países industrializados, que não conseguiam mais vender toda a produção de suas fábricas. Tal concorrência era particularmente forte entre a Grã-Bretanha e a Alemanha.
• Atritos entre as grandes potências devido a questões coloniais. Alemanha, Itália e Japão participaram com atraso da corrida imperialista e estavam insatisfeitos com as poucas colônias que haviam adquirido.
• Crescimento dos nacionalismos europeus, manipulados pelos respectivos governos como um meio para conseguir apoio popular à causa da guerra. Há que considerar ainda o nacionalismo das populações que se encontravam sob o domínio do Império Austro-Húngaro ou do Império Russo e ansiavam pela independência.
Fatores específicos
• A França alimentava em relação à Alemanha um forte sentimento de revanchismo, por causa da humilhante derrota sofrida na Guerra Franco-Prussiana de 1870-71, e desejava recuperar a região da Alsácia-Lorena (que era uma região com uma natureza muito rica), perdida para os alemães naquele conflito.
• A Itália, cujo processo de unificação política ocorrera no século XIX, desejava incorporar as cidades “irredentas” (que não haviam se submetido ao seu poder central) de Trento e Trieste, que continuavam em poder da Áustria-Hungria.
• O Reino da Sérvia aspirava à formação de uma Grande Sérvia; para tanto, pretendia anexar o vizinho Reino do Montenegro e as regiões da Bósnia-Herzegovina, Croácia e Eslovênia, pertencentes ao Império Austro-Húngaro. As ambições sérvias eram respaldadas pela Rússia, desejosa de consolidar sua influência nos Bálcãs para ter acesso ao Mar Mediterrâneo.
• O decadente Império Otomano (Turquia), apelidado O Homem Doente da Europa, vinha sofrendo uma dupla pressão: da Rússia, que tencionava apossar-se dos estreitos do Bósforo e dos Dardanelos, e da Grã-Bretanha, que desejava libertar as populações árabes do domínio turco, a fim de poder explorar o petróleo do Oriente Médio. Tal situação levou o governo otomano a se aproximar da Alemanha, em busca de ajuda técnica e militar.
Antecedentes
Depois de unificar a Alemanha em torno do Reino da Prússia, dando origem ao II Reich (Império Alemão, 1871-1918), o chanceler (primeiro-ministro, nos países de língua alemã) Bismarck procurou tecer uma Política de Alianças com as demais potências européias, a fim de manter a França isolada e neutralizar o revanchismo francês. Essa política teve sucesso (exemplo: a União dos Três Imperadores, celebrada entre Alemanha, Áustria-Hungria e Rússia), mas foi abandonada após 1890, quando Bismarck se afastou da vida política.
O novo imperador da Alemanha, Guilherme II (conhecido como o Kaiser, 1888-1918), adotou uma política militarista que minou as relações com a Rússia e a Grã-Bretanha: a primeira irritou-se com o estreitamento da aliança entre Alemanha e Áustria-Hungria, além do apoio dado pelos alemães à Turquia; a Grã-Bretanha, já prejudicada com a concorrência industrial e comercial alemã, inquietou-se com os planos do Kaiser no sentido de criar uma poderosa marinha de guerra e construir uma ferrovia ligando Berlim a Bagdá (cidade do Império Otomano relativamente próxima do Golfo Pérsico).
Em consequência, houve um remanejamento de posições das potências européias. O resultado foi a formação de dois blocos opostos:
Tríplice Aliança: Alemanha, Áustria-Hungria e Itália. Esta uniu-se à Alemanha em represália à França, que frustrara a pretensão italiana de conquistar a Tunísia. Mas o fato de a Áustria-Hungria fazer parte do bloco incomodava os italianos, devido à questão das “cidades irredentas”.
Tríplice Entente: Inglaterra (ou melhor, Grã-Bretanha), França e Rússia. Esse nome vem de Entente Cordiale (“Entendimento Cordial”) – forma como o governo francês definiu sua aproximação com a Inglaterra, de quem a França era adversária tradicional.
O período que antecedeu a eclosão da I Guerra Mundial é conhecido pelo nome de Paz Armada, pois as grandes potências, convencidas da inevitabilidade do conflito e até mesmo desejando-o, aceleraram seus preparativos bélicos (exceto a Itália, que não estava bem certa do que iria fazer). Por duas vezes, em 1905 e 1911, a Alemanha provocou a França a respeito do Marrocos, mas as crises foram contornadas.
O início da guerra
Até 1912, o enfraquecido Império Otomano ainda conservava nos Bálcãs uma faixa territorial que se estendia de Istambul (antiga Constantinopla) ao Mar Adriático e incluía a Albânia. Entre 1912 e 1913, porém, perdeu quase todas essas terras para a Grécia, Bulgária e sobretudo para a Sérvia, que deu os primeiros passos no sentido de implementar seu projeto da “Grande Sérvia”; a Albânia tornou-se um Estado independente.
Em 28 de junho de 1914, o arquiduque Francisco Fernando de Habsburgo, herdeiro do trono austro-húngaro, visitava Sarajevo, capital da Bósnia, com sua esposa, quando ambos foram assassinados por um jovem bósnio cristão ortodoxo (a imensa maioria dos bósnios era muçulmana), partidário da união com a Sérvia. A Áustria-Hungria, alegando envolvimento do governo sérvio no crime, apresentou uma série de exigências que foram rejeitadas pela Sérvia.
Em 28 de julho, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia. No dia seguinte, a Rússia pôs suas tropas em estado de prontidão, e a Alemanha fez o mesmo em 30 de julho. Na madrugada de 1º de agosto, a Alemanha declarou guerra à Rússia, sendo imitada pelo governo austro-húngaro.
Grã-Bretanha e França, surpreendidas pela rapidez dos acontecimentos, não se moveram. Mas a Alemanha, cujos planos de campanha estavam prontos desde 1911, declarou guerra à França em 3 de agosto. Na madrugada de 4, as tropas alemãs invadiram a Bélgica – que era neutra – para surpreender os franceses com um ataque vindo de direção inesperada. A Bélgica, militarmente fraca, não conseguiria conter os invasores, os quais deveriam alcançar rapidamente o Canal da Mancha. Alarmado com essa perspectiva, o governo britânico declarou guerra à Alemanha na noite de 4 de agosto.
Em uma semana, o que deveria ser mais um conflito balcânico transformara-se em uma guerra européia. A Itália somente entrou na luta em 1915; mas fê-lo contra a Alemanha e Áustria-Hungria, porque Grã-Bretanha e França lhe prometeram – e depois não cumpriram – que os italianos ganhariam algumas colônias alemãs na África (além de Trento e Trieste, naturalmente).
Durante a I Guerra Mundial, os blocos em conflito mudaram de denominação, passando a ser conhecidos como:
Impérios Centrais: Alemanha, Áustria-Hungria, Turquia e Bulgária.
Aliados: Sérvia, Rússia, França, Bélgica, Grã-Bretanha, Japão, Itália, Romênia, EUA, Brasil etc.
O desenrolar do conflito
O plano de campanha dos alemães previa uma guerra em duas frentes; mas priorizava a Frente Ocidental (contra os anglo-franceses), ainda que isso significasse perdas territoriais temporárias na Frente Oriental (contra os russos). Assim, o Kaiser e seus generais esperavam derrotar rapidamente seus inimigos do oeste, para depois voltar suas forças contra os russos.
Na Frente Ocidental, a I Guerra Mundial apresenta duas fases bem diferenciadas:
Guerra de movimento (agosto/novembro de 1914): Os alemães ocuparam quase toda a Bélgica e também o norte da França. Mas não conseguiram tomar Paris nem dominar a costa francesa no Canal da Mancha.
Guerra de trincheiras (novembro de 1914/março de 1918): Durante quase dois anos e meio, as linhas de combate estabilizaram-se e os exércitos adversários procuraram abrigar-se em um complexo sistema de trincheiras onde passaram praticamente a morar – convivendo com ratos, parasitas e ainda com a lama ou o pó, o frio ou o calor, conforme a estação do ano. Protegidas por intrincadas redes de arame farpado e por ninhos de metralhadora, eram posições muito difíceis de conquistar. Os comandantes de ambos os lados, não preparados para essa nova realidade, continuaram durante muito tempo a ordenar ataques frontais de infantaria, perdendo dezenas de milhares de homens para avançar alguns quilômetros. O exemplo mais dramático desse inútil sacrifício de vidas foi a luta pelas posições fortificadas francesas de Verdun. A luta, que se arrastou por dez meses em 1916, provocou mais de um milhão de mortes e, no final, as posições eram as mesmas quando do início da batalha.
Na Frente Oriental, o chamado “rolo compressor russo” (o maior exército do mundo) obteve algumas vitórias iniciais, mas depois teve de recuar diante dos alemães e austro-húngaros. O exército czarista era mal armado, mal organizado e mal comandado; mesmo assim, tentou contra-ofensivas em 1915 e 1916, sofrendo baixas terríveis. No começo de 1917, os Impérios Centrais controlavam firmemente a Polônia, a Lituânia, a Letônia e parte da Bielo-Rússia (todos esses territórios faziam parte do Império Russo).
Na África e no Pacífico, a maioria das colônias alemãs caiu rapidamente em poder dos Aliados. No Oriente Médio, um exército britânico passou a operar contra os turcos a partir de 1917; foi auxiliado por um levante das tribos da Arábia, estimuladas pelo célebre agente inglês Thomas Lawrence, conhecido como “Lawrence da Arábia”.
No Mar do Norte, a esquadra alemã defrontou-se com a britânica na Batalha da Jutlândia (1916), mas não conseguiu romper o bloqueio marítimo imposto pelos Aliados.
1917: o ano decisivo
Em março de 1917, estourou a Revolução Russa. O czar Nicolau II foi derrubado e um governo provisório liberal (formado por aristocratas e burgueses) assumiu o poder. Oficialmente, a Rússia continuou na guerra contra a Alemanha; mas seus soldados, esgotados e desmoralizados, praticamente pararam de combater. Essa circunstância poderia permitir aos alemães deslocarem tropas para a frente ocidental, derrotando definitivamente ingleses e franceses.
No decorrer da guerra, os Estados Unidos haviam-se tornado os grandes fornecedores dos Aliados, aos quais vendiam desde alimentos até armas e munições. Grã-Bretanha, França e outros países tinham acumulado débitos enormes junto aos empresários norte-americanos, os quais não poderiam suportar o fantástico prejuízo advindo de uma possível derrota anglo-francesa.
Por essa razão, em 6 de abril de 1917, tomando como pretexto o afundamento de cinco navios norte-americanos por submarinos alemães, o presidente Wilson (o mesmo que em janeiro daquele ano divulgara seus 14 pontos para uma paz justa), declarou guerra aos Impérios Centrais. Como o país não tinha serviço militar obrigatório, foram necessários dez meses para treinar um enorme exército que pudesse operar na Europa.Mas a marinha de guerra norte-americana entrou imediatamente na luta contra os submarinos alemães, aliviando a grave situação dos ingleses.
1918: Cronologia do término do conflito
Fevereiro: Chegada das primeiras tropas norte-americanas à França.
Março: O governo bolchevique (comunista) russo, que fora instaurado em novembro de 1917, assina o Tratado de Brest-Litovsk com a Alemanha, retirando a Rússia da guerra. No mesmo mês, os alemães iniciam uma última ofensiva na frente ocidental, mas mais uma vez não conseguem tomar Paris.
Julho: Contra-ofensiva aliada na França. Os alemães começam a bater em retirada.
Setembro: Rendição da Bulgária.
Outubro: Rendição da Turquia.
Novembro: O Império Austro-Húngaro desintegra-se no dia 3. Áustria e Hungria assinam armistícios (acordos de cessar-fogo) separados. No dia 9, irrompe uma revolução republicana na Alemanha; fuga do Kaiser Guilherme II. No dia 11, o novo governo alemão assina um armistício com os Aliados, na expectativa de serem observados os “14 Pontos” de Wilson (expectativa frustrada pela dureza das condições impostas pelos vencedores).
Os tratados de paz
Em 1919, reuniu-se a Conferência de Paz de Paris, para a qual somente a Rússia não foi convidada. Todavia, em vez de discussões amplas e abertas entre todos os envolvidos na Grande Guerra (nome dado ao conflito de 1914-18 até 1939, quando começou a II Guerra Mundial), os tratados de paz foram elaborados pelos vencedores, Inglaterra, EUA e França, e impostos aos países vencidos.
O tratado mais importante foi o de Versalhes, que a Alemanha foi obrigada a assinar. O que é mais importante nele é que a Alemanha foi considerada a única responsável pela eclosão da guerra e foi condenada a perder todas as colônias e vários territórios alemães na Europa (principais: a Alsácia-Lorena, restituída à França; o Corredor Polonês, que dividiu a Alemanha em duas partes; o porto de Danzig, transformado em cidade-livre). Também sofreu limitações militares: proibição do serviço militar obrigatório e da produção de aviões de combate, tanques, canhões gigantes, navios de guerra de grande porte e submarinos, além da limitação do exército alemão a 100 mil homens.
Uma dos pontos mais importantes economicamento é que a Alemanha foi obrigada a pagar pesadíssimas reparações ( como multas, para compensar o estrago) de guerra.
As duras (e injustas) condições do Tratado de Versalhes geraram entre os alemães um profundo ressentimento, responsável em grande parte pela ascensão de Hitler ao poder– o que acabaria levando à II Guerra Mundial.
Consequências da I Guerra Mundial
• 11 milhões de mortos (destes, 8 milhões eram combatentes).
• Fim dos impérios Russo, Austro-Húngaro, Alemão e Otomano.
• Surgimento de novos Estados europeus:
Do desmembramento do Império Austro-Húngaro: Áustria, Hungria, Checoslováquia e Iugoslávia (nome oficial da “Grande Sérvia”, criado em 1931).
Do desmembramento do Império Russo:
URSS, Finlândia, Polônia, Lituânia, Letônia e Estônia.
• Crise econômica generalizada, com especial gravidade na URSS, Itália e Alemanha.
• Surgimento dos regimes totalitários, tanto de esquerda (comunismo) como de direita (fascismo).
• Ascensão dos EUA à posição de maior potência mundial.
• Criação da Sociedade das Nações ou Liga das Nações – um dos poucos itens dos “14 Pontos” que foram aproveitados.
• Existência de minorias étnicas com tendência separatista em vários países da Europa Central e Oriental, criando graves focos de tensão.
O fim da Primeira Guerra Mundial está ligado ao início da Segunda, pois as perdas territoriais alemãs iriam servir de justificativa para o expansionismo nazista.
Revolução Russa
A Revolução Russa de 1917 foi um acontecimento capital na História do Século XX. E, apesar de o mundo socialista por ela criado haver desmoronado no final do período, aquele evento exerceu uma extraordinária influência na vida de centenas de milhões de seres humanos.
Lenin foi o primeiro chefe do Governo Socialista russo, implantado com a revolução de outubro de 1917.
A Rússia no início do século XX
Ao iniciar-se o século XX, o Império Russo apresentava um extraordinário atraso em relação às demais potências européias:
Atraso econômico — A economia ainda era basicamente agrária, praticada em latifúndios explorados de forma antiquada, através do trabalho de milhões de camponeses miseráveis. A industrialização russa foi tardia, dependente de capitais estrangeiros e se restringia a algumas grandes cidades.
Atraso social — A sociedade russa era ainda mais desigual que a sociedade francesa às vésperas da Revolução de 1789. Havia o absoluto predomínio da aristocracia fundiária, diante de uma burguesia fraca e das massas camponesas marginalizadas. O proletariado russo era violentamente explorado; mas já possuía uma forte consciência social e política e estava concentrado nos grandes centros urbanos — o que facilitaria sua mobilização em caso de revolução.
Atraso político — O Império Russo era oficialmente uma autocracia (isto é, uma monarquia absoluta), com todos os poderes centralizados nas mãos do czar. Não havia partidos políticos legalizados, embora as agremiações clandestinas fossem bastante atuantes. Delas, a mais importante era o Partido Social-Democrata Russo, que em 1903 se dividiu em dois ramos: bolcheviques (marxistas radicais) e mencheviques (socialistas moderados).
A Revolução de 1905
Em 1904-5, a Rússia entrou em guerra com o Japão, disputando territórios no Extremo Oriente, e foi derrotada.
Esse conflito repercutiu na Rússia Européia, dando origem à Revolução de 1905 — que Lenin mais tarde considerou um “ensaio geral para a Revolução de 1917”.
A Revolução de 1905 consistiu em três episódios distintos, todos extremamente significativos:
O Domingo Sangrento — Uma manifestação pacífica de milhares de operários de São Petersburgo (então capital da Rússia) foi violentamente dispersada pela Guarda Imperial, com centenas de vítimas. Esse acontecimento abalou profundamente a confiança do povo em seu imperador.
A revolta do “Potemkin” — O “Potemkin” era um couraçado pertencente à frota russa do Mar Negro. Sua tripulação rebelou-se ao saber que seria enviada para lutar contra os japoneses. Os demais navios da esquadra não aderiram à revolta do “Potemkin”, cujos tripulantes acabaram refugiando-se na Romênia. De qualquer forma, tratava-se de um motim em uma grande unidade da Marinha Russa, evidenciando que as Forças Armadas já não podiam ser consideradas sustentáculos fiéis da Monarquia.
A greve geral — Em São Petersburgo, Moscou e Kiev, os operários entraram em greve geral. Apesar da repressão militar, os trabalhadores resistiram por algumas semanas, sobretudo em Moscou. Dois fatos importantes ocorreram durante essa greve: foram organizados os primeiros sovietes (conselhos) de trabalhadores e houve operários que se defenderam a bala, mostrando que estavam se preparando para uma insurreição armada.
Em 1906, tendo em vista os abalos produzidos pela Revolução de 1905 e pela derrota frente ao Japão, o czar Nicolau ll resolveu criar a Duma, como um primeiro passo em direção à liberalização. Tratava-se de uma Assembléia Legislativa com poderes extremamente limitados; e, como era censitária, seus deputados representavam apenas 2% do total da população.
A Revolução de 1917 (1ª fase)
A causa imediata da Revolução Russa foram os efeitos desastrosos do envolvimento russo na I Guerra Mundial. Na qualidade de membro da Tríplice Entente, juntamente com a Grã-Bretanha e a França, o Império Russo entrou em guerra com a Alemanha e a Áustria-Hungria em 1914. Mas, embora seu gigantesco exército tivesse o apelido de “rolo compressor”, os russos não estavam à altura de seus adversários alemães. Estes impuseram às tropas do czar derrotas esmagadoras, que só não levaram a Rússia à rendição porque a Alemanha, dividida entre duas frentes de batalha (havia uma Frente Ocidental, contra ingleses e franceses), não pôde explorar suas vitórias a fundo. Mesmo assim, boa parte do território russo encontrava-se em poder dos invasores — principalmente a Ucrânia, cujo tchernoziom (terra negra) era considerado o celeiro do Império.
As pesadas perdas sofridas pelo exército, mais as dificuldades de abastecimento, somadas à alta do custo de vida e à ineficiência e corrupção administrativas, levaram o povo russo a uma situação de verdadeiro desespero. Assim, em fevereiro de 1917 (março, pelo calendário vigente nos países ocidentais), eclodiram manifestações em Petrogrado (novo nome de São Petersburgo), exigindo a saída da Rússia da guerra. As tropas da capital recusaram-se a reprimir os manifestantes e aderiram a eles. O czar Nicolau ll, que se encontrava em seu quartel-general, foi impedido de entrar em Petrogrado. Em questão de dias, a insurreição alastrou-se por todas as grandes cidades do Império.
Como o príncipe-herdeiro era hemofílico, Nicolau ll preferiu abdicar em favor de seu irmão, mas este recusou o trono. Para que a Rússia não ficasse acéfala, a Duma organizou um governo provisório constituído de aristocratas e burgueses, sob a chefia do príncipe Lvov.
Tentando ganhar o apoio das massas, o novo governo adotou uma postura liberal, decretando anistia política. Com isso, milhares de prisioneiros foram libertados e centenas de exilados retornaram à Rússia. Entre eles, inúmeros revolucionários bolcheviques, liderados por Lenin. Imediatamente começaram a ser organizados sovietes de operários, soldados e camponeses, com vistas à realização da revolução socialista.
Recém-chegado do exílio, Lenin tentou um golpe de Estado em julho de 1917, mas falhou e foi obrigado a se esconder por algum tempo. O príncipe Lvov foi substituído na chefia do governo provisório por um advogado chamado Kerensky, do Partido Social-Revolucionário (apesar do nome, essa era uma agremiação política moderada), que gozava de uma certa popularidade. Mas esta se deteriorou rapidamente, devido à insistência de Kerensky em continuar a guerra contra a Alemanha, apesar dos anseios de paz da população e da impossibilidade de a Rússia poder sustentar um conflito militar de tais proporções.
A Revolução de 1917 (2ª fase)
Em outubro de 1917 (novembro, pelo calendário ocidental), os bolcheviques finalmente tomaram o poder. Os sovietes, controlados por eles, haviam se transformado no poder de fato da Rússia, anulando o papel da Duma e de Kerensky. Um assalto ao palácio do governo, conduzido por soldados bolcheviques, resultou na fuga de Kerensky, que conseguiu se refugiar nos Estados Unidos. Algumas dezenas de jovens cadetes pereceram nas escadarias e salões do palácio, tentando defender seu líder que fugia.
A Duma foi dissolvida e o poder foi assumido por um Conselho de Comissários do Povo, chefiado por Lenin. O novo governo convocou imediatamente uma Assembléia Constituinte.
As eleições se realizaram em condições caóticas. Os bolcheviques dominavam Petrogrado, Moscou, Minsk e Kiev — ou seja, os grandes núcleos urbanos da Rússia Européia. Mas seu poder estava longe de ser estável nas vastidões do agonizante Império Russo. Assim, as eleições deram maioria aos partidos não-bolcheviques.
A Assembléia Constituinte reuniu-se em Petrogrado em janeiro de 1918 — por um único dia. Comprovada a hostilidade da maioria dos deputados ao Conselho de Comissários do Povo, Lenin ordenou seu fechamento. Começava a ditadura comunista, com todos os seus desdobramentos: a paz com a Alemanha, a Guerra Civil entre Brancos e Vermelhos (1918-21), a socialização (freada temporariamente pela NEP — Nova Política Econômica), a luta pelo poder entre Trotsky e Stalin e, enfim, a ditadura stalinista (1928-53), uma das mais sangrentas de todo o século XX.
A I Guerra Mundial é o acontecimento que realmente dá início ao século XX, pondo fim ao que se convencionou chamar de Belle Epoque – 1871-1914: período em que as grandes potências européias não entraram em guerra entre si e a burguesia viveu sua época de maior fastígio, graças à expansão do capitalismo imperialista e à exploração imposta ao proletariado.
Os fatores que provocaram a I Guerra Mundial podem ser divididos em gerais e específicos.
Fatores gerais
• Disputa dos mercados internacionais pelos países industrializados, que não conseguiam mais vender toda a produção de suas fábricas. Tal concorrência era particularmente forte entre a Grã-Bretanha e a Alemanha.
• Atritos entre as grandes potências devido a questões coloniais. Alemanha, Itália e Japão participaram com atraso da corrida imperialista e estavam insatisfeitos com as poucas colônias que haviam adquirido.
• Crescimento dos nacionalismos europeus, manipulados pelos respectivos governos como um meio para conseguir apoio popular à causa da guerra. Há que considerar ainda o nacionalismo das populações que se encontravam sob o domínio do Império Austro-Húngaro ou do Império Russo e ansiavam pela independência.
Fatores específicos
• A França alimentava em relação à Alemanha um forte sentimento de revanchismo, por causa da humilhante derrota sofrida na Guerra Franco-Prussiana de 1870-71, e desejava recuperar a região da Alsácia-Lorena (que era uma região com uma natureza muito rica), perdida para os alemães naquele conflito.
• A Itália, cujo processo de unificação política ocorrera no século XIX, desejava incorporar as cidades “irredentas” (que não haviam se submetido ao seu poder central) de Trento e Trieste, que continuavam em poder da Áustria-Hungria.
• O Reino da Sérvia aspirava à formação de uma Grande Sérvia; para tanto, pretendia anexar o vizinho Reino do Montenegro e as regiões da Bósnia-Herzegovina, Croácia e Eslovênia, pertencentes ao Império Austro-Húngaro. As ambições sérvias eram respaldadas pela Rússia, desejosa de consolidar sua influência nos Bálcãs para ter acesso ao Mar Mediterrâneo.
• O decadente Império Otomano (Turquia), apelidado O Homem Doente da Europa, vinha sofrendo uma dupla pressão: da Rússia, que tencionava apossar-se dos estreitos do Bósforo e dos Dardanelos, e da Grã-Bretanha, que desejava libertar as populações árabes do domínio turco, a fim de poder explorar o petróleo do Oriente Médio. Tal situação levou o governo otomano a se aproximar da Alemanha, em busca de ajuda técnica e militar.
Antecedentes
Depois de unificar a Alemanha em torno do Reino da Prússia, dando origem ao II Reich (Império Alemão, 1871-1918), o chanceler (primeiro-ministro, nos países de língua alemã) Bismarck procurou tecer uma Política de Alianças com as demais potências européias, a fim de manter a França isolada e neutralizar o revanchismo francês. Essa política teve sucesso (exemplo: a União dos Três Imperadores, celebrada entre Alemanha, Áustria-Hungria e Rússia), mas foi abandonada após 1890, quando Bismarck se afastou da vida política.
O novo imperador da Alemanha, Guilherme II (conhecido como o Kaiser, 1888-1918), adotou uma política militarista que minou as relações com a Rússia e a Grã-Bretanha: a primeira irritou-se com o estreitamento da aliança entre Alemanha e Áustria-Hungria, além do apoio dado pelos alemães à Turquia; a Grã-Bretanha, já prejudicada com a concorrência industrial e comercial alemã, inquietou-se com os planos do Kaiser no sentido de criar uma poderosa marinha de guerra e construir uma ferrovia ligando Berlim a Bagdá (cidade do Império Otomano relativamente próxima do Golfo Pérsico).
Em consequência, houve um remanejamento de posições das potências européias. O resultado foi a formação de dois blocos opostos:
Tríplice Aliança: Alemanha, Áustria-Hungria e Itália. Esta uniu-se à Alemanha em represália à França, que frustrara a pretensão italiana de conquistar a Tunísia. Mas o fato de a Áustria-Hungria fazer parte do bloco incomodava os italianos, devido à questão das “cidades irredentas”.
Tríplice Entente: Inglaterra (ou melhor, Grã-Bretanha), França e Rússia. Esse nome vem de Entente Cordiale (“Entendimento Cordial”) – forma como o governo francês definiu sua aproximação com a Inglaterra, de quem a França era adversária tradicional.
O período que antecedeu a eclosão da I Guerra Mundial é conhecido pelo nome de Paz Armada, pois as grandes potências, convencidas da inevitabilidade do conflito e até mesmo desejando-o, aceleraram seus preparativos bélicos (exceto a Itália, que não estava bem certa do que iria fazer). Por duas vezes, em 1905 e 1911, a Alemanha provocou a França a respeito do Marrocos, mas as crises foram contornadas.
O início da guerra
Até 1912, o enfraquecido Império Otomano ainda conservava nos Bálcãs uma faixa territorial que se estendia de Istambul (antiga Constantinopla) ao Mar Adriático e incluía a Albânia. Entre 1912 e 1913, porém, perdeu quase todas essas terras para a Grécia, Bulgária e sobretudo para a Sérvia, que deu os primeiros passos no sentido de implementar seu projeto da “Grande Sérvia”; a Albânia tornou-se um Estado independente.
Em 28 de junho de 1914, o arquiduque Francisco Fernando de Habsburgo, herdeiro do trono austro-húngaro, visitava Sarajevo, capital da Bósnia, com sua esposa, quando ambos foram assassinados por um jovem bósnio cristão ortodoxo (a imensa maioria dos bósnios era muçulmana), partidário da união com a Sérvia. A Áustria-Hungria, alegando envolvimento do governo sérvio no crime, apresentou uma série de exigências que foram rejeitadas pela Sérvia.
Em 28 de julho, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia. No dia seguinte, a Rússia pôs suas tropas em estado de prontidão, e a Alemanha fez o mesmo em 30 de julho. Na madrugada de 1º de agosto, a Alemanha declarou guerra à Rússia, sendo imitada pelo governo austro-húngaro.
Grã-Bretanha e França, surpreendidas pela rapidez dos acontecimentos, não se moveram. Mas a Alemanha, cujos planos de campanha estavam prontos desde 1911, declarou guerra à França em 3 de agosto. Na madrugada de 4, as tropas alemãs invadiram a Bélgica – que era neutra – para surpreender os franceses com um ataque vindo de direção inesperada. A Bélgica, militarmente fraca, não conseguiria conter os invasores, os quais deveriam alcançar rapidamente o Canal da Mancha. Alarmado com essa perspectiva, o governo britânico declarou guerra à Alemanha na noite de 4 de agosto.
Em uma semana, o que deveria ser mais um conflito balcânico transformara-se em uma guerra européia. A Itália somente entrou na luta em 1915; mas fê-lo contra a Alemanha e Áustria-Hungria, porque Grã-Bretanha e França lhe prometeram – e depois não cumpriram – que os italianos ganhariam algumas colônias alemãs na África (além de Trento e Trieste, naturalmente).
Durante a I Guerra Mundial, os blocos em conflito mudaram de denominação, passando a ser conhecidos como:
Impérios Centrais: Alemanha, Áustria-Hungria, Turquia e Bulgária.
Aliados: Sérvia, Rússia, França, Bélgica, Grã-Bretanha, Japão, Itália, Romênia, EUA, Brasil etc.
O desenrolar do conflito
O plano de campanha dos alemães previa uma guerra em duas frentes; mas priorizava a Frente Ocidental (contra os anglo-franceses), ainda que isso significasse perdas territoriais temporárias na Frente Oriental (contra os russos). Assim, o Kaiser e seus generais esperavam derrotar rapidamente seus inimigos do oeste, para depois voltar suas forças contra os russos.
Na Frente Ocidental, a I Guerra Mundial apresenta duas fases bem diferenciadas:
Guerra de movimento (agosto/novembro de 1914): Os alemães ocuparam quase toda a Bélgica e também o norte da França. Mas não conseguiram tomar Paris nem dominar a costa francesa no Canal da Mancha.
Guerra de trincheiras (novembro de 1914/março de 1918): Durante quase dois anos e meio, as linhas de combate estabilizaram-se e os exércitos adversários procuraram abrigar-se em um complexo sistema de trincheiras onde passaram praticamente a morar – convivendo com ratos, parasitas e ainda com a lama ou o pó, o frio ou o calor, conforme a estação do ano. Protegidas por intrincadas redes de arame farpado e por ninhos de metralhadora, eram posições muito difíceis de conquistar. Os comandantes de ambos os lados, não preparados para essa nova realidade, continuaram durante muito tempo a ordenar ataques frontais de infantaria, perdendo dezenas de milhares de homens para avançar alguns quilômetros. O exemplo mais dramático desse inútil sacrifício de vidas foi a luta pelas posições fortificadas francesas de Verdun. A luta, que se arrastou por dez meses em 1916, provocou mais de um milhão de mortes e, no final, as posições eram as mesmas quando do início da batalha.
Na Frente Oriental, o chamado “rolo compressor russo” (o maior exército do mundo) obteve algumas vitórias iniciais, mas depois teve de recuar diante dos alemães e austro-húngaros. O exército czarista era mal armado, mal organizado e mal comandado; mesmo assim, tentou contra-ofensivas em 1915 e 1916, sofrendo baixas terríveis. No começo de 1917, os Impérios Centrais controlavam firmemente a Polônia, a Lituânia, a Letônia e parte da Bielo-Rússia (todos esses territórios faziam parte do Império Russo).
Na África e no Pacífico, a maioria das colônias alemãs caiu rapidamente em poder dos Aliados. No Oriente Médio, um exército britânico passou a operar contra os turcos a partir de 1917; foi auxiliado por um levante das tribos da Arábia, estimuladas pelo célebre agente inglês Thomas Lawrence, conhecido como “Lawrence da Arábia”.
No Mar do Norte, a esquadra alemã defrontou-se com a britânica na Batalha da Jutlândia (1916), mas não conseguiu romper o bloqueio marítimo imposto pelos Aliados.
1917: o ano decisivo
Em março de 1917, estourou a Revolução Russa. O czar Nicolau II foi derrubado e um governo provisório liberal (formado por aristocratas e burgueses) assumiu o poder. Oficialmente, a Rússia continuou na guerra contra a Alemanha; mas seus soldados, esgotados e desmoralizados, praticamente pararam de combater. Essa circunstância poderia permitir aos alemães deslocarem tropas para a frente ocidental, derrotando definitivamente ingleses e franceses.
No decorrer da guerra, os Estados Unidos haviam-se tornado os grandes fornecedores dos Aliados, aos quais vendiam desde alimentos até armas e munições. Grã-Bretanha, França e outros países tinham acumulado débitos enormes junto aos empresários norte-americanos, os quais não poderiam suportar o fantástico prejuízo advindo de uma possível derrota anglo-francesa.
Por essa razão, em 6 de abril de 1917, tomando como pretexto o afundamento de cinco navios norte-americanos por submarinos alemães, o presidente Wilson (o mesmo que em janeiro daquele ano divulgara seus 14 pontos para uma paz justa), declarou guerra aos Impérios Centrais. Como o país não tinha serviço militar obrigatório, foram necessários dez meses para treinar um enorme exército que pudesse operar na Europa.Mas a marinha de guerra norte-americana entrou imediatamente na luta contra os submarinos alemães, aliviando a grave situação dos ingleses.
1918: Cronologia do término do conflito
Fevereiro: Chegada das primeiras tropas norte-americanas à França.
Março: O governo bolchevique (comunista) russo, que fora instaurado em novembro de 1917, assina o Tratado de Brest-Litovsk com a Alemanha, retirando a Rússia da guerra. No mesmo mês, os alemães iniciam uma última ofensiva na frente ocidental, mas mais uma vez não conseguem tomar Paris.
Julho: Contra-ofensiva aliada na França. Os alemães começam a bater em retirada.
Setembro: Rendição da Bulgária.
Outubro: Rendição da Turquia.
Novembro: O Império Austro-Húngaro desintegra-se no dia 3. Áustria e Hungria assinam armistícios (acordos de cessar-fogo) separados. No dia 9, irrompe uma revolução republicana na Alemanha; fuga do Kaiser Guilherme II. No dia 11, o novo governo alemão assina um armistício com os Aliados, na expectativa de serem observados os “14 Pontos” de Wilson (expectativa frustrada pela dureza das condições impostas pelos vencedores).
Os tratados de paz
Em 1919, reuniu-se a Conferência de Paz de Paris, para a qual somente a Rússia não foi convidada. Todavia, em vez de discussões amplas e abertas entre todos os envolvidos na Grande Guerra (nome dado ao conflito de 1914-18 até 1939, quando começou a II Guerra Mundial), os tratados de paz foram elaborados pelos vencedores, Inglaterra, EUA e França, e impostos aos países vencidos.
O tratado mais importante foi o de Versalhes, que a Alemanha foi obrigada a assinar. O que é mais importante nele é que a Alemanha foi considerada a única responsável pela eclosão da guerra e foi condenada a perder todas as colônias e vários territórios alemães na Europa (principais: a Alsácia-Lorena, restituída à França; o Corredor Polonês, que dividiu a Alemanha em duas partes; o porto de Danzig, transformado em cidade-livre). Também sofreu limitações militares: proibição do serviço militar obrigatório e da produção de aviões de combate, tanques, canhões gigantes, navios de guerra de grande porte e submarinos, além da limitação do exército alemão a 100 mil homens.
Uma dos pontos mais importantes economicamento é que a Alemanha foi obrigada a pagar pesadíssimas reparações ( como multas, para compensar o estrago) de guerra.
As duras (e injustas) condições do Tratado de Versalhes geraram entre os alemães um profundo ressentimento, responsável em grande parte pela ascensão de Hitler ao poder– o que acabaria levando à II Guerra Mundial.
Consequências da I Guerra Mundial
• 11 milhões de mortos (destes, 8 milhões eram combatentes).
• Fim dos impérios Russo, Austro-Húngaro, Alemão e Otomano.
• Surgimento de novos Estados europeus:
Do desmembramento do Império Austro-Húngaro: Áustria, Hungria, Checoslováquia e Iugoslávia (nome oficial da “Grande Sérvia”, criado em 1931).
Do desmembramento do Império Russo:
URSS, Finlândia, Polônia, Lituânia, Letônia e Estônia.
• Crise econômica generalizada, com especial gravidade na URSS, Itália e Alemanha.
• Surgimento dos regimes totalitários, tanto de esquerda (comunismo) como de direita (fascismo).
• Ascensão dos EUA à posição de maior potência mundial.
• Criação da Sociedade das Nações ou Liga das Nações – um dos poucos itens dos “14 Pontos” que foram aproveitados.
• Existência de minorias étnicas com tendência separatista em vários países da Europa Central e Oriental, criando graves focos de tensão.
O fim da Primeira Guerra Mundial está ligado ao início da Segunda, pois as perdas territoriais alemãs iriam servir de justificativa para o expansionismo nazista.
Revolução Russa
A Revolução Russa de 1917 foi um acontecimento capital na História do Século XX. E, apesar de o mundo socialista por ela criado haver desmoronado no final do período, aquele evento exerceu uma extraordinária influência na vida de centenas de milhões de seres humanos.
Lenin foi o primeiro chefe do Governo Socialista russo, implantado com a revolução de outubro de 1917.
A Rússia no início do século XX
Ao iniciar-se o século XX, o Império Russo apresentava um extraordinário atraso em relação às demais potências européias:
Atraso econômico — A economia ainda era basicamente agrária, praticada em latifúndios explorados de forma antiquada, através do trabalho de milhões de camponeses miseráveis. A industrialização russa foi tardia, dependente de capitais estrangeiros e se restringia a algumas grandes cidades.
Atraso social — A sociedade russa era ainda mais desigual que a sociedade francesa às vésperas da Revolução de 1789. Havia o absoluto predomínio da aristocracia fundiária, diante de uma burguesia fraca e das massas camponesas marginalizadas. O proletariado russo era violentamente explorado; mas já possuía uma forte consciência social e política e estava concentrado nos grandes centros urbanos — o que facilitaria sua mobilização em caso de revolução.
Atraso político — O Império Russo era oficialmente uma autocracia (isto é, uma monarquia absoluta), com todos os poderes centralizados nas mãos do czar. Não havia partidos políticos legalizados, embora as agremiações clandestinas fossem bastante atuantes. Delas, a mais importante era o Partido Social-Democrata Russo, que em 1903 se dividiu em dois ramos: bolcheviques (marxistas radicais) e mencheviques (socialistas moderados).
A Revolução de 1905
Em 1904-5, a Rússia entrou em guerra com o Japão, disputando territórios no Extremo Oriente, e foi derrotada.
Esse conflito repercutiu na Rússia Européia, dando origem à Revolução de 1905 — que Lenin mais tarde considerou um “ensaio geral para a Revolução de 1917”.
A Revolução de 1905 consistiu em três episódios distintos, todos extremamente significativos:
O Domingo Sangrento — Uma manifestação pacífica de milhares de operários de São Petersburgo (então capital da Rússia) foi violentamente dispersada pela Guarda Imperial, com centenas de vítimas. Esse acontecimento abalou profundamente a confiança do povo em seu imperador.
A revolta do “Potemkin” — O “Potemkin” era um couraçado pertencente à frota russa do Mar Negro. Sua tripulação rebelou-se ao saber que seria enviada para lutar contra os japoneses. Os demais navios da esquadra não aderiram à revolta do “Potemkin”, cujos tripulantes acabaram refugiando-se na Romênia. De qualquer forma, tratava-se de um motim em uma grande unidade da Marinha Russa, evidenciando que as Forças Armadas já não podiam ser consideradas sustentáculos fiéis da Monarquia.
A greve geral — Em São Petersburgo, Moscou e Kiev, os operários entraram em greve geral. Apesar da repressão militar, os trabalhadores resistiram por algumas semanas, sobretudo em Moscou. Dois fatos importantes ocorreram durante essa greve: foram organizados os primeiros sovietes (conselhos) de trabalhadores e houve operários que se defenderam a bala, mostrando que estavam se preparando para uma insurreição armada.
Em 1906, tendo em vista os abalos produzidos pela Revolução de 1905 e pela derrota frente ao Japão, o czar Nicolau ll resolveu criar a Duma, como um primeiro passo em direção à liberalização. Tratava-se de uma Assembléia Legislativa com poderes extremamente limitados; e, como era censitária, seus deputados representavam apenas 2% do total da população.
A Revolução de 1917 (1ª fase)
A causa imediata da Revolução Russa foram os efeitos desastrosos do envolvimento russo na I Guerra Mundial. Na qualidade de membro da Tríplice Entente, juntamente com a Grã-Bretanha e a França, o Império Russo entrou em guerra com a Alemanha e a Áustria-Hungria em 1914. Mas, embora seu gigantesco exército tivesse o apelido de “rolo compressor”, os russos não estavam à altura de seus adversários alemães. Estes impuseram às tropas do czar derrotas esmagadoras, que só não levaram a Rússia à rendição porque a Alemanha, dividida entre duas frentes de batalha (havia uma Frente Ocidental, contra ingleses e franceses), não pôde explorar suas vitórias a fundo. Mesmo assim, boa parte do território russo encontrava-se em poder dos invasores — principalmente a Ucrânia, cujo tchernoziom (terra negra) era considerado o celeiro do Império.
As pesadas perdas sofridas pelo exército, mais as dificuldades de abastecimento, somadas à alta do custo de vida e à ineficiência e corrupção administrativas, levaram o povo russo a uma situação de verdadeiro desespero. Assim, em fevereiro de 1917 (março, pelo calendário vigente nos países ocidentais), eclodiram manifestações em Petrogrado (novo nome de São Petersburgo), exigindo a saída da Rússia da guerra. As tropas da capital recusaram-se a reprimir os manifestantes e aderiram a eles. O czar Nicolau ll, que se encontrava em seu quartel-general, foi impedido de entrar em Petrogrado. Em questão de dias, a insurreição alastrou-se por todas as grandes cidades do Império.
Como o príncipe-herdeiro era hemofílico, Nicolau ll preferiu abdicar em favor de seu irmão, mas este recusou o trono. Para que a Rússia não ficasse acéfala, a Duma organizou um governo provisório constituído de aristocratas e burgueses, sob a chefia do príncipe Lvov.
Tentando ganhar o apoio das massas, o novo governo adotou uma postura liberal, decretando anistia política. Com isso, milhares de prisioneiros foram libertados e centenas de exilados retornaram à Rússia. Entre eles, inúmeros revolucionários bolcheviques, liderados por Lenin. Imediatamente começaram a ser organizados sovietes de operários, soldados e camponeses, com vistas à realização da revolução socialista.
Recém-chegado do exílio, Lenin tentou um golpe de Estado em julho de 1917, mas falhou e foi obrigado a se esconder por algum tempo. O príncipe Lvov foi substituído na chefia do governo provisório por um advogado chamado Kerensky, do Partido Social-Revolucionário (apesar do nome, essa era uma agremiação política moderada), que gozava de uma certa popularidade. Mas esta se deteriorou rapidamente, devido à insistência de Kerensky em continuar a guerra contra a Alemanha, apesar dos anseios de paz da população e da impossibilidade de a Rússia poder sustentar um conflito militar de tais proporções.
A Revolução de 1917 (2ª fase)
Em outubro de 1917 (novembro, pelo calendário ocidental), os bolcheviques finalmente tomaram o poder. Os sovietes, controlados por eles, haviam se transformado no poder de fato da Rússia, anulando o papel da Duma e de Kerensky. Um assalto ao palácio do governo, conduzido por soldados bolcheviques, resultou na fuga de Kerensky, que conseguiu se refugiar nos Estados Unidos. Algumas dezenas de jovens cadetes pereceram nas escadarias e salões do palácio, tentando defender seu líder que fugia.
A Duma foi dissolvida e o poder foi assumido por um Conselho de Comissários do Povo, chefiado por Lenin. O novo governo convocou imediatamente uma Assembléia Constituinte.
As eleições se realizaram em condições caóticas. Os bolcheviques dominavam Petrogrado, Moscou, Minsk e Kiev — ou seja, os grandes núcleos urbanos da Rússia Européia. Mas seu poder estava longe de ser estável nas vastidões do agonizante Império Russo. Assim, as eleições deram maioria aos partidos não-bolcheviques.
A Assembléia Constituinte reuniu-se em Petrogrado em janeiro de 1918 — por um único dia. Comprovada a hostilidade da maioria dos deputados ao Conselho de Comissários do Povo, Lenin ordenou seu fechamento. Começava a ditadura comunista, com todos os seus desdobramentos: a paz com a Alemanha, a Guerra Civil entre Brancos e Vermelhos (1918-21), a socialização (freada temporariamente pela NEP — Nova Política Econômica), a luta pelo poder entre Trotsky e Stalin e, enfim, a ditadura stalinista (1928-53), uma das mais sangrentas de todo o século XX.
Revolução Industrial
Galerinha, aula passada falamos de Revolução Francesa, que eu acho que teremos que revisar pq não ficou muito claro, hoje falaremos de revolução industrial.
Como eu falei pra vocês na aula passada, estamos falando do surgimento da nossa sociedade moderna capitalista. E se tem uma coisa tão fundamental pro capitalismo quanto a revolução francesa é a revolução industrial. Enquanto uma marca as mudanças político e sociais a outra marca as econômico-sociais.
Primeiro vamos entender o que estava havendo. A Inglaterra era muuuuuuuito rica. Tinha uma marinha mercante que era a melhor do mundo, tinha colônias e tinha descobrindo novas tecnologias o tempo todo. A Inglaterra já produzia algumas manufaturas, como tecidos e roupas. Ela comprava de Portugal e da frança, por exemplo, coisas mais simples,q não haviam passado pelas fábricas e vendia produtos fabris. Além de rica a Inglaterra era uma nação em pleno desenvolvimento, tal como os estados unidos hoje, tinha papel vital na política internacional e exportava tecnologia. Naquela época, uma das mais importantes invenções foi a máquina a vapor, que permitiu o desenvolvimento de máquinas mais complexas e autônomas para as fábricas e que permitiu também o melhoramento dos transportes, ao possibilitar a invenção dos trens a vapor e dos navios a vapor, que poderiam levar mercadorias e pessoas para territórios distantes, tal como América ou a China.
Acho que é importante a gente ver que a revolução industrial não é chamada de revolução por que o povo foi as ruas, fez a maior confusão, matou o rei, mudou tudo e tal mais, como na frança, a revolução industrial foi simplesmente um marco do início do que somos hoje, urbanos, industrializados (ou pelo menos nos industrializando) e globalizados. Foi o momento crucial em que as fábricas tinham crescido tanto em número e importância que as pessoas saiam dos campos, da agricultura, pra trabalhar em máquinas, nas cidades. Foi ai que a burguesia que já crescia cresceu mais ainda, a Inglaterra enriqueceu, por que mandava seus produtos pro mundo todo (isso se chama exportação) por que tinha trabalhadores e fábricas de monte e por que era pioneira no que fazia, ou seja, era um dos primeiros países a ter tantas fábricas e uma classe burguesa tãaaao importante.
Mas por que isso aconteceu na Inglaterra? Guardem bem que isso cai muito! Não só por que ela era rica, tinha colônias, ou seja, acumulava riqueza provinda da colônia, e desenvolvia tecnologias, mas por que ela tinha mudado seu foco da agricultura pra industria, sua sociedade política por exemplo já havia enfrentado revolução para reduzir o poder absolutista e aumentar o poder da nascente bruguesia. Vamos lá. A população da Inglaterra antes da revolução era como um agricultor lá no interior do ceara, ok? Eles trablhavam no campo, plantando e colhendo, criando ovelhas que forneciam lã e no máximo fazendo uma manufatura aqui e ali (manufaturas são produtos novos, que com técnicas artesanais, ou coisas simples, com instrumentos e as mãos, que surgem apartir de outros produtos extraídos da natureza) . Mas aí, do mesmo jeito que lá no ceará acontece a seca, lá na Inglaterra aconteceu uma coisa chamada cercamentos, que, como a seca, fez o povo sair do campo, sair da agricultura para procurar uma vida melhor na cidade. Os cercamentos eram literalmente colocar cercas na terra e dizer que era dono expulsando o povo que trabalhava ali achando que a terra não tinha dono. Aí vem os nomes técnicos, diz-se que a política de cercamentos criou êxodo rural, assim, liberou mao de obra do campo para as cidades. Aí com gente nas cidades, esse povo foi trabalhar nas fábricas, ou virou mendigo.
Bom, aí vem o problema. Trabalhar nas fábricas não era maravilha nenhuma. Pessimos salários, lugares horríveis, maquinas que pouco se conhecia e viviam causando acidentes, jornadas de trabalho absurdas de 16 horas, crianças trabalhando, crianças mesmo, não que nem vocês, crianças de 6, 8 anos que trabalhavam em máquinas e mal ganhavam pra comprar o pão. Enfim, condições horríveis de trabalho e nenhuma possibilidade de melhora.
Aí vêm os movimentos operários. Vamos estudar isso com cuidado e atenção, por que tem caído muito. Um dos primeiros movimentos de resistência foi iniciado por um cara chamado Ludd, e por isso o movimento é chamado Ludismo. Esse cara juntou um bando de trabalhadores do setor têxtil, de tecidos, para quebrar as maquinas das suas industrias, por que eles achavam que as maquinas é que faziam suas condições de trabalho serem tão ruins, por que faziam parte do trabalho humano, tornando os trabalhadores descartáveis. Mas é claro que não eram as maquinas as responsáveis por todo o sofrimento, eram os burgueses, donos das industrias, seus patrões. Então o que aconteceu é que esses caras sofreram um castigo duro, alguns foram mortos e nada mudou, é claro. Um outro movimento muito importante, o chamado cartismo, lutava por representação no parlamento, ou seja, participação dos trabalhadores no poder político, para que eles pudessem fazer leis em sua proteção, a reivindicação mais importante deles era o sufrágio universal MASCULINO. È claro, novamente quase nada do que eles reivindicavam foi atendido, houve repreensão e pouca influencia, o cartismo morreu.
Um movimento importantíssimo que vai ter eco e existe até hoje são as organizações sindicais. Os trabalhadores começaram a se unir em seus setores para que, juntos pudessem fazer frente e serem ouvidos pelos patrões. Eles se uniam em suas areas de atuação e tiveram inclusive sua associação legalizada por uma lei em 1824. Bom, isso é muito importante, até hoje, por que trabalhadores sindicalizados fazem greve, protesto, enfim, e são muito mais ouvidos, por que demitir um é fácil, demitir a fábrica inteira é loucura.
Uma outra forma de resistência vai surgir não dos trabalhadores, mas dos intelectuais. Essse pensamento de resistência ao capitalismo, que era o causador de todo o sofrimento do trabalhador vai ser chamado de socialismo, com Marx em seu centro. O que que Marx vai dizer? Ele vai dizer muuuuuuuuuuita coisa, vamos falar só um pouquinho. Ele vai dizer que o trabalhador é explorado quando o patrão toma para si a mais-valia, ou seja, o tempo a mais que o trabalhador trabalha e não é pago por isso. Como se ele trabalhasse 16 horas, sendo que seu salário é de 100 reais e a sua hora de trabalho é 10 reais. Então ele deveria ganhar 160 reais, mas só ganha 100, por que o patrão pega esses 60 pra si. Uma outra coisa importante, o Mar x vai dizer que o trabalhador é alienado. Como assim? Ele é um ET que veio trabalhar? Não, ele trabalha fabricando um produto que ele não vai ter condições de comprar, ou seja, ele tá lá na fábrica de carro construindo um carro, sendo que ele só ganha 100 reais, e o carro custa 1 milhão, então ele não vai ter acesso a esse produto. Pra Marx os trabalhadores industriais, que ele vai chamar de proletários, acreditavam que não podiam fazer nada pra mudar sua condição, por que todo dia os jornais, as pessoas mais ricas, o governo, diziam isso, que aquela exploração resultava no crescimento da economia, que não era tão exploração por que cada um tinha a liberdade de fazer o que queria e ele havia escolhido fazer aquilo, enfim, um monte de baboseiras que convenciam o proletário de aceitar sua condição de cabeça baixa. È como se hoje em dia passasse na televisão uma ideologia, e essa palavra tbm é chave em Marx, que dizia, pelas novelas e jornal, quem deve dominar e que deve ser dominado, e os dominados nem percebem que isso não é um fato, mas uma mentira que ficam repetindo até que se torne verdade. Então é isso que o Marx vai dizer, os dominados, proletários que sofrem nas mãos da burguesia, tem que mudar essa situação fazendo uma revolução socialista. Com essa revolução vai se acabar com a propriedade privada, tirar o governo burguês e colocar um governo proletário para garantir a coletivização dos meios de produção, ou seja, fazer com que a agricultura, a industria, não pertença só a um cara rico, mas a toda poupulação. Enfim, uma série de mudanças, até que se chegaria ao comunismo. De cada um, de acordo com suas habilidades, a cada um, de acordo com suas necessidades, essa é a frase símbolo dessa sociedade futura comunista onde seriamos todos iguais e deixaria de haver dominantes e dominados. Mas a gente vai ver que, infelizmente, as pessoas não deram muito ouvido ao Marx...
O que importa finalmente é que, mesmo com o povo sofrendo, com as pe´ssimas condições de vida o capitalismo triunfou e avançou. A burguesia cresceu, as industrias também, as nações, principalmente a Inglaterra, enriqueceram.AO invés de várias pequenas empresas que atuavam em livre concorrência começam a predomina monopólios, ou seja, um ou duas empresas diferentes a apenas que são responsáveis por um setor inteiro da produção, como por exemplo aqui as empresas de telefonia que sõ são 4, oi, TIM, claro e vivo. È importante notar que nem no exemplo nem lá na Inglaterra era monopoooolio mesmo, por que monopólio é uma empresa só, mas pra efeitos de explicação fica assim. Os bancos na época também estavam bombando crsenco, fornecendo empresitimos para essas empresas se expandirem e tal. E aí vamos falar da expansão imperialista.
As industrias cresceram tanto, tanto, que a Inglaterra não tinha mais nem matérias primas nem mercado consumidor pra suprir esse capitalismo. Era preciso buscar novas matérias primas, como ferro, o petróleo (que passa a ser importante no final do séc XIX) e até terras para plantar. Era preciso também arranjar gente pra trabalhar nesses industras e gente pra comprar delas. O que fazer então? Procurar essas terras. Se expandir, dominar territórios e controla-los, para atender a tudo aquilo que eles precisam. A Inglaterra vai fazer isso, sua grandes industrias que são donas dos mais diversos ramos da produção, que tem amizades intimas com os grandes bancos que as financiam, fazem empréstimos e sua posição de queridinhas do governo, a Inglaterra vira o império onde o sol nunca se põe. Eles passam a ser donos de grande parte da Ásia, da china e da índia por exemplo, grande parte da áfrica, como a áfrica do sul, que vcs viram na copa, eles lá falam inglês, por que foram dominados pela Inglaterra. Enfim, é a nova colonização, chamada, neocolonialismo, ou como o Lênin, um cara que vamos falar depois mas que gosta muito das idéias do Marx diz, imperialismo. O capitalismo das grandes potencias se espalha pelo mundo criando mais dominados, as periferias ou colônias, e mais dominantes, os grandes impérios, e mais lutas de classes, dentro de lugares que nem sonhavam com o capitalismo, como o coração da áfrica.
Como eu falei pra vocês na aula passada, estamos falando do surgimento da nossa sociedade moderna capitalista. E se tem uma coisa tão fundamental pro capitalismo quanto a revolução francesa é a revolução industrial. Enquanto uma marca as mudanças político e sociais a outra marca as econômico-sociais.
Primeiro vamos entender o que estava havendo. A Inglaterra era muuuuuuuito rica. Tinha uma marinha mercante que era a melhor do mundo, tinha colônias e tinha descobrindo novas tecnologias o tempo todo. A Inglaterra já produzia algumas manufaturas, como tecidos e roupas. Ela comprava de Portugal e da frança, por exemplo, coisas mais simples,q não haviam passado pelas fábricas e vendia produtos fabris. Além de rica a Inglaterra era uma nação em pleno desenvolvimento, tal como os estados unidos hoje, tinha papel vital na política internacional e exportava tecnologia. Naquela época, uma das mais importantes invenções foi a máquina a vapor, que permitiu o desenvolvimento de máquinas mais complexas e autônomas para as fábricas e que permitiu também o melhoramento dos transportes, ao possibilitar a invenção dos trens a vapor e dos navios a vapor, que poderiam levar mercadorias e pessoas para territórios distantes, tal como América ou a China.
Acho que é importante a gente ver que a revolução industrial não é chamada de revolução por que o povo foi as ruas, fez a maior confusão, matou o rei, mudou tudo e tal mais, como na frança, a revolução industrial foi simplesmente um marco do início do que somos hoje, urbanos, industrializados (ou pelo menos nos industrializando) e globalizados. Foi o momento crucial em que as fábricas tinham crescido tanto em número e importância que as pessoas saiam dos campos, da agricultura, pra trabalhar em máquinas, nas cidades. Foi ai que a burguesia que já crescia cresceu mais ainda, a Inglaterra enriqueceu, por que mandava seus produtos pro mundo todo (isso se chama exportação) por que tinha trabalhadores e fábricas de monte e por que era pioneira no que fazia, ou seja, era um dos primeiros países a ter tantas fábricas e uma classe burguesa tãaaao importante.
Mas por que isso aconteceu na Inglaterra? Guardem bem que isso cai muito! Não só por que ela era rica, tinha colônias, ou seja, acumulava riqueza provinda da colônia, e desenvolvia tecnologias, mas por que ela tinha mudado seu foco da agricultura pra industria, sua sociedade política por exemplo já havia enfrentado revolução para reduzir o poder absolutista e aumentar o poder da nascente bruguesia. Vamos lá. A população da Inglaterra antes da revolução era como um agricultor lá no interior do ceara, ok? Eles trablhavam no campo, plantando e colhendo, criando ovelhas que forneciam lã e no máximo fazendo uma manufatura aqui e ali (manufaturas são produtos novos, que com técnicas artesanais, ou coisas simples, com instrumentos e as mãos, que surgem apartir de outros produtos extraídos da natureza) . Mas aí, do mesmo jeito que lá no ceará acontece a seca, lá na Inglaterra aconteceu uma coisa chamada cercamentos, que, como a seca, fez o povo sair do campo, sair da agricultura para procurar uma vida melhor na cidade. Os cercamentos eram literalmente colocar cercas na terra e dizer que era dono expulsando o povo que trabalhava ali achando que a terra não tinha dono. Aí vem os nomes técnicos, diz-se que a política de cercamentos criou êxodo rural, assim, liberou mao de obra do campo para as cidades. Aí com gente nas cidades, esse povo foi trabalhar nas fábricas, ou virou mendigo.
Bom, aí vem o problema. Trabalhar nas fábricas não era maravilha nenhuma. Pessimos salários, lugares horríveis, maquinas que pouco se conhecia e viviam causando acidentes, jornadas de trabalho absurdas de 16 horas, crianças trabalhando, crianças mesmo, não que nem vocês, crianças de 6, 8 anos que trabalhavam em máquinas e mal ganhavam pra comprar o pão. Enfim, condições horríveis de trabalho e nenhuma possibilidade de melhora.
Aí vêm os movimentos operários. Vamos estudar isso com cuidado e atenção, por que tem caído muito. Um dos primeiros movimentos de resistência foi iniciado por um cara chamado Ludd, e por isso o movimento é chamado Ludismo. Esse cara juntou um bando de trabalhadores do setor têxtil, de tecidos, para quebrar as maquinas das suas industrias, por que eles achavam que as maquinas é que faziam suas condições de trabalho serem tão ruins, por que faziam parte do trabalho humano, tornando os trabalhadores descartáveis. Mas é claro que não eram as maquinas as responsáveis por todo o sofrimento, eram os burgueses, donos das industrias, seus patrões. Então o que aconteceu é que esses caras sofreram um castigo duro, alguns foram mortos e nada mudou, é claro. Um outro movimento muito importante, o chamado cartismo, lutava por representação no parlamento, ou seja, participação dos trabalhadores no poder político, para que eles pudessem fazer leis em sua proteção, a reivindicação mais importante deles era o sufrágio universal MASCULINO. È claro, novamente quase nada do que eles reivindicavam foi atendido, houve repreensão e pouca influencia, o cartismo morreu.
Um movimento importantíssimo que vai ter eco e existe até hoje são as organizações sindicais. Os trabalhadores começaram a se unir em seus setores para que, juntos pudessem fazer frente e serem ouvidos pelos patrões. Eles se uniam em suas areas de atuação e tiveram inclusive sua associação legalizada por uma lei em 1824. Bom, isso é muito importante, até hoje, por que trabalhadores sindicalizados fazem greve, protesto, enfim, e são muito mais ouvidos, por que demitir um é fácil, demitir a fábrica inteira é loucura.
Uma outra forma de resistência vai surgir não dos trabalhadores, mas dos intelectuais. Essse pensamento de resistência ao capitalismo, que era o causador de todo o sofrimento do trabalhador vai ser chamado de socialismo, com Marx em seu centro. O que que Marx vai dizer? Ele vai dizer muuuuuuuuuuita coisa, vamos falar só um pouquinho. Ele vai dizer que o trabalhador é explorado quando o patrão toma para si a mais-valia, ou seja, o tempo a mais que o trabalhador trabalha e não é pago por isso. Como se ele trabalhasse 16 horas, sendo que seu salário é de 100 reais e a sua hora de trabalho é 10 reais. Então ele deveria ganhar 160 reais, mas só ganha 100, por que o patrão pega esses 60 pra si. Uma outra coisa importante, o Mar x vai dizer que o trabalhador é alienado. Como assim? Ele é um ET que veio trabalhar? Não, ele trabalha fabricando um produto que ele não vai ter condições de comprar, ou seja, ele tá lá na fábrica de carro construindo um carro, sendo que ele só ganha 100 reais, e o carro custa 1 milhão, então ele não vai ter acesso a esse produto. Pra Marx os trabalhadores industriais, que ele vai chamar de proletários, acreditavam que não podiam fazer nada pra mudar sua condição, por que todo dia os jornais, as pessoas mais ricas, o governo, diziam isso, que aquela exploração resultava no crescimento da economia, que não era tão exploração por que cada um tinha a liberdade de fazer o que queria e ele havia escolhido fazer aquilo, enfim, um monte de baboseiras que convenciam o proletário de aceitar sua condição de cabeça baixa. È como se hoje em dia passasse na televisão uma ideologia, e essa palavra tbm é chave em Marx, que dizia, pelas novelas e jornal, quem deve dominar e que deve ser dominado, e os dominados nem percebem que isso não é um fato, mas uma mentira que ficam repetindo até que se torne verdade. Então é isso que o Marx vai dizer, os dominados, proletários que sofrem nas mãos da burguesia, tem que mudar essa situação fazendo uma revolução socialista. Com essa revolução vai se acabar com a propriedade privada, tirar o governo burguês e colocar um governo proletário para garantir a coletivização dos meios de produção, ou seja, fazer com que a agricultura, a industria, não pertença só a um cara rico, mas a toda poupulação. Enfim, uma série de mudanças, até que se chegaria ao comunismo. De cada um, de acordo com suas habilidades, a cada um, de acordo com suas necessidades, essa é a frase símbolo dessa sociedade futura comunista onde seriamos todos iguais e deixaria de haver dominantes e dominados. Mas a gente vai ver que, infelizmente, as pessoas não deram muito ouvido ao Marx...
O que importa finalmente é que, mesmo com o povo sofrendo, com as pe´ssimas condições de vida o capitalismo triunfou e avançou. A burguesia cresceu, as industrias também, as nações, principalmente a Inglaterra, enriqueceram.AO invés de várias pequenas empresas que atuavam em livre concorrência começam a predomina monopólios, ou seja, um ou duas empresas diferentes a apenas que são responsáveis por um setor inteiro da produção, como por exemplo aqui as empresas de telefonia que sõ são 4, oi, TIM, claro e vivo. È importante notar que nem no exemplo nem lá na Inglaterra era monopoooolio mesmo, por que monopólio é uma empresa só, mas pra efeitos de explicação fica assim. Os bancos na época também estavam bombando crsenco, fornecendo empresitimos para essas empresas se expandirem e tal. E aí vamos falar da expansão imperialista.
As industrias cresceram tanto, tanto, que a Inglaterra não tinha mais nem matérias primas nem mercado consumidor pra suprir esse capitalismo. Era preciso buscar novas matérias primas, como ferro, o petróleo (que passa a ser importante no final do séc XIX) e até terras para plantar. Era preciso também arranjar gente pra trabalhar nesses industras e gente pra comprar delas. O que fazer então? Procurar essas terras. Se expandir, dominar territórios e controla-los, para atender a tudo aquilo que eles precisam. A Inglaterra vai fazer isso, sua grandes industrias que são donas dos mais diversos ramos da produção, que tem amizades intimas com os grandes bancos que as financiam, fazem empréstimos e sua posição de queridinhas do governo, a Inglaterra vira o império onde o sol nunca se põe. Eles passam a ser donos de grande parte da Ásia, da china e da índia por exemplo, grande parte da áfrica, como a áfrica do sul, que vcs viram na copa, eles lá falam inglês, por que foram dominados pela Inglaterra. Enfim, é a nova colonização, chamada, neocolonialismo, ou como o Lênin, um cara que vamos falar depois mas que gosta muito das idéias do Marx diz, imperialismo. O capitalismo das grandes potencias se espalha pelo mundo criando mais dominados, as periferias ou colônias, e mais dominantes, os grandes impérios, e mais lutas de classes, dentro de lugares que nem sonhavam com o capitalismo, como o coração da áfrica.
Revolução Francesa - Aula
Bom, hoje vamos começar falando do surgimento da nossa sociedade capitalista moderna. Como vocês sabem, o Brasil foi colonizado por Portugal, e, para entendermos o funcionamento da nossa sociedade brasileira hoje precisamos entender como ela se constituiu, começando pelo entendimento da vida na Europa, o que nos foi trazido pelos grandes navegadores.
Nossa sociedade é capitalista. Vocês sabem o que é o capitalismo? O capitalismo é o sistema econômico predominante no mundo, é como funciona a economia de países como o nosso e os Estados Unidos, por exemplo. Esse sistema se baseia na exploração do trabalho, ou seja, o trabalhador vende sua atividade por um salário, para produzir bens que originalmente pertencem a um patrão e que serão então vendidos no mercado. Eu e vocês estamos introduzidos nesse sistema capitalista, por exemplo, eu amanhã posso estar trabalhando em uma fábrica, produzindo um parafuso, e esse parafuso vai ser vendido pelo meu chefe para um mercado por um determinado preço. Esse preço vai incluir o custo de produzir o parafuso, ou seja, quanto custou o ferro e tudo o mais do que é feito um parafuso mais o que eu cobrei para fazer esse ferro tornar-se um parafuso. Além do custo de produção, o patrão, dono da fábrica vai incluir no preço de venda do parafuso o valor do seu lucro desejado, ou seja, a diferença entre o preço de produção do parafuso e seu preço de venda. E assim o sistema capitalista se forma, com várias pessoas que produzem muitos objetos e serviços e várias pessoas que compram muitos produtos e serviços, vendendo outros. Esse é o ciclo do capitalismo, mas a parte ruim desse, que é bem grande, nós falaremos na próxima aula.
O que nos importa agora é pensar como que esse sistema capitalista, no qual a classe mais rica, que coordena esse sistema, é a burguesia surgiu. O mundo é muito velho, e a história longuíssima, então vamos começar do momento em que esse grupo de burgueses passa a querer ser o grupo dominante no lugar da aristocracia. Todo mundo já ouviu uma história de princesas e reis, não? O Shrek por exemplo, virou rei de tão tão distante, e por que ele virou rei? Bom, não foi por que ele era bonito, nem por que ele era inteligente, muito menos por que tinha uma fábrica de casas do pântano que o fez ganhar muito dinheiro, foi por que ele se casou com a princesa, ou seja, a filha do rei. E era assim que as coisas funcionavam até quase 1800 na Europa. As pessoas que nasciam nos castelos, em berço de ouro, filhos, netos, sobrinhos de poderosos, os chamados aristocratas, ou, a nobreza, continuavam sendo poderosos, e seus filhos também, e seus netos, e assim por diante. Não havia merecimento ou trabalho duro, era uma questão de nascimento. Mas, é claro, nem todos estavam felizes com essa história de reis que mandavam sem nenhuma lei, sem constituição, que determinavam seus próprios juízes e diziam que Deus é que tinha os posto ali. Nem todos gostavam desses reis controlando as atividades econômicas de seus países e de suas colônias, guardando todas as riquezas nos seus castelos e cobrando impostos absurdos da população. É, esse pessoal que não gostava queria ter poder também, queria um governo que atendesse seus pedidos, queria fazer comércio na boa, sem restrições. E esse pessoal era justamente a burguesia, que hoje podemos dizer que são os donos das empresas, de fábricas, de construtoras, de grandes lojas. Não esqueçam esse nome, burguesia. Sem burguesia, não há capitalismo.
Antes de começarmos a falar do plano das ações, marcadas pela Revolução Francesa, vamos falar do plano das idéias, um plano que, no século XVIII seguia algumas tendências que nos levaram a chamar o período de iluminismo. Mas o que foi o iluminismo? O Iluminismo é, para sintetizar, uma atitude geral de pensamento e de ação. Os iluministas admitiam que os seres humanos estão em condição de tornar este mundo um mundo melhor - mediante introspecção, livre exercício das capacidades humanas e do engajamento político-social. Ou seja, os iluministas, independente de sua área de atuação, a sociedade, a economia, a política, a ciência ou as artes, defendiam que era preciso usar a razão para se construir um mundo melhor. Essa razão, a iluminação, o esclarecimento, era a melhor ferramenta que temos para ler o mundo e podermos torna-lo um lugar melhor, em oposição a religião e o misticismo que dominou a idade média. O Iluminismo exerceu vasta influência sobre a vida política e intelectual da maior parte dos países ocidentais. A época do Iluminismo foi marcada por transformações políticas tais como a criação e consolidação de estados nação, a expansão de direitos civis, e a redução da influência de instituições hierárquicas como a nobreza e a igreja. Para os filósofos iluministas, o homem era naturalmente bom, porém, era corrompido pela sociedade com o passar do tempo. Eles acreditavam que se todos fizessem parte de uma sociedade justa, com direitos iguais a todos, a felicidade comum seria alcançada. Por esta razão, eles eram contra as imposições de caráter religioso, contra as práticas mercantilistas, contrários ao absolutismo do rei, além dos privilégios dados a nobreza e ao clero.
Alguns dos principais autores iluministas foram Jean Jacques Rousseau, que vai falar da idéia de um estado democrático que garanta igualdade para todos, Montesquieu, que vai falar da divisão do poder em três, o legislativo, o judiciário e o executivo, e o Voltaire, que vai falar da liberdade de pensamento com sua famosa frase “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.”
Os burgueses foram os principais interessados nesta filosofia iluminista, pois, apesar do dinheiro que possuíam, eles não tinham poder em questões políticas devido a sua participação limitada. Naquele período, o Antigo Regime ainda vigorava na França, por exemplo, e, nesta forma de governo, o rei detinha todos os poderes. Uma outra forma de impedimento aos burgueses eram as práticas mercantilistas, onde, o governo interferia ainda nas questões econômicas, e aí está justamente a ligação do iluminismo com a revolução francesa.
Guardaram bem? Na França é que esses burgueses ficaram mais indignados com o rei que abusava do seu povo na maior e ninguém controlava, foi na França que esses burgueses se uniram e resolveram mudar o rumo da história tomando por base os ideais iluministas. Assim começou a Revolução Francesa. Em 1789, final do século XVIII, a burguesia se uniu, na figura dos Jacobinos com o povo, os ditos sans-cullottes, que em portugês seria os sem calção , que era a calça usada pelos nobres da época. Na velha ordem, aquela que os revolucionários queriam derrubar os burgueses e o resto do povo faziam parte da terceira camada da sociedade, sendo a primeira o clero, não é, os padres, e a segunda a nobreza. Esse terceiro Estado queria desfazer essa classificação, queria acabar com os super poderes do clero, e fazer eles serem subordinados ao governo Frances e queriam acabar com essa nobreza absolutista na qual não havia regras. Assim, esse terceiro estado unido iniciou a revolução, sem objetivos bem claros, a não ser o de que aquela Velha Ordem deveria ser destruída. Começou-se a primeira fase da Revolução destruindo a Bastilha, uma prisão que abrigava todos aqueles que o rei julgava culpados, um símbolo do absolutismo do rei e instaurando-se a Assembléia Nacional Constituinte, que é o nome dessa primeira fase da Revolução. NA Assembléia Nacional Constituinte aboliram-se os privilégios da nobreza, subordinou-se o clero ao estado revolucionário Frances por meio da Constituição Civil do Clero e aprovou-se a Declaração dos Direitos do Homem e do cidadão, que pregava os três ideais da revolução Liberdade, Igualdade e Fraternidade. O rei, aquele todo metido da imagem, o Luis xvi, jurou obedecer a constituição que foi criada, ou seja, manteve-se uma monarquia constitucional.
Depois da surpresa inicial, começam as tentativas de resposta de outros países que mandam tropas para França, mas não tem sucesso. Em Paris, motins, revoltas, confusão e uma população faminta que não havia ainda sido ouvida e não gostava da idéia de monarquia constitucional. Assim, como resposta a toda instabilidade e os poucos resultados obtidos pela manutenção da monarquia inaugura-se um novo período na Revolução, liderado pela parte mais radical da burguesia, os Jacobinos, que é mais próxima do povo.
A terceira fase inicia-se com a levada do rei Luis xvi à guilhotina, sabem? Aquela serra que você bota a cabeça e eles arrancam sua cabeça fora. Não se queria mais nenhum resquício da velha ordem, e é preciso consolidar a primeira república francesa. Mas aí vem o X da questão. Revolução, bem, mas até então não para o povo. E aí entram os Jacobinos, que governam radicalmente, liderados por Robespierre, que instaura o Comite de Salvação Publica e o Comite de Segurança Nacional, além da Lei do Preço Máximo que congelou o preço dos alimentos, deixando bem claro pra quem era o governo Jacobino. Nesse período contra-revolucionários, artistocratas e todos considerados excessivamente moderados foram perseguidos e executados, o que fez o período ser chamado de Grande Terror.
É claro que a alta burguesia não estava gostando dessa história de ser amigo do povo, nome do principal jornal do período jacobino, eles não queriam tanta igualdade assim. Por isso há a resposta Termidoriana, que depõe robespierre e coloca no poder a alta e média burguesia, instaurando a fase do Diretório. Quem mandava agora, quem fazia parte do governo e criava os partidos eram burgueses, os camponeses famintos e outros trabalhadores continuavam subjugados, sem terra, com fome, sem poder, e assim continuariam por muito tempo... Agora todos votam, opa, todos não, só os homens, mas ainda tem muita gente infeliz.
A coisa não estava tão boa assim, partidos que dividiam o poder, grandes burgueses que dividiam o país com pequenos burgueses brigavam entre si o tempo todo. O país estava em crise econômica, não possuía uma administração consistente, sofria contra-revoluções dos nobres franceses e também de outros países, não estava fácil segurar a revolução. A burguesia no poder definiu então que precisava de ordem, e, mantendo as conquistas obtidas no processo revolucionário, a burguesia coloca Napoleão no poder. Lembrem-se que, apesar de ser das forças armadas, de ser um homem só e extremamente poderoso, não houve retrocesso para um novo absolutismo, não, Napoleão governava com constituição.
O governo de Napoleão então inicia-se com o chamado Consulado, no qual Napoleão dividia o poder com mais dois governantes, durante o período ele criou o Código Civil, uma legislação que consolidou as conquistas revolucionárias, como por exemplo o estabelecimento da propriedade privada inviolável e incentivou a industrialização, promovendo um reaquecimento da economia francesa.
Bom, aí vem mais um problema, quando fazem de Napoleão um imperador. De 1804 a 1815 Napoleão governa a França com mãos de ferro, promovendo o crescimento, mas buscando a expansão territorial, para supostamente levar os ideais da revolução francesa para outras nações. É nessa expansão então que a França invade a Espanha, tenta invadir a Inglaterra e invade Portugal, levando a toda história do 1808 que fez a família real portuguesa fugir para o Brasil, mas aí é outra história. O ponto é que o negocio fica feio pro lado do Bonaparte, pois suas invasões não tiveram grande sucesso e a Inglaterra o derrotou seriamente. Napoleão é posto em exílio e morre, levando a França a continuar sua história com outros governantes e desenvolver-se no seu capitalismo, tornando-a o que é hoje, um país rico e desenvolvido.
Nossa sociedade é capitalista. Vocês sabem o que é o capitalismo? O capitalismo é o sistema econômico predominante no mundo, é como funciona a economia de países como o nosso e os Estados Unidos, por exemplo. Esse sistema se baseia na exploração do trabalho, ou seja, o trabalhador vende sua atividade por um salário, para produzir bens que originalmente pertencem a um patrão e que serão então vendidos no mercado. Eu e vocês estamos introduzidos nesse sistema capitalista, por exemplo, eu amanhã posso estar trabalhando em uma fábrica, produzindo um parafuso, e esse parafuso vai ser vendido pelo meu chefe para um mercado por um determinado preço. Esse preço vai incluir o custo de produzir o parafuso, ou seja, quanto custou o ferro e tudo o mais do que é feito um parafuso mais o que eu cobrei para fazer esse ferro tornar-se um parafuso. Além do custo de produção, o patrão, dono da fábrica vai incluir no preço de venda do parafuso o valor do seu lucro desejado, ou seja, a diferença entre o preço de produção do parafuso e seu preço de venda. E assim o sistema capitalista se forma, com várias pessoas que produzem muitos objetos e serviços e várias pessoas que compram muitos produtos e serviços, vendendo outros. Esse é o ciclo do capitalismo, mas a parte ruim desse, que é bem grande, nós falaremos na próxima aula.
O que nos importa agora é pensar como que esse sistema capitalista, no qual a classe mais rica, que coordena esse sistema, é a burguesia surgiu. O mundo é muito velho, e a história longuíssima, então vamos começar do momento em que esse grupo de burgueses passa a querer ser o grupo dominante no lugar da aristocracia. Todo mundo já ouviu uma história de princesas e reis, não? O Shrek por exemplo, virou rei de tão tão distante, e por que ele virou rei? Bom, não foi por que ele era bonito, nem por que ele era inteligente, muito menos por que tinha uma fábrica de casas do pântano que o fez ganhar muito dinheiro, foi por que ele se casou com a princesa, ou seja, a filha do rei. E era assim que as coisas funcionavam até quase 1800 na Europa. As pessoas que nasciam nos castelos, em berço de ouro, filhos, netos, sobrinhos de poderosos, os chamados aristocratas, ou, a nobreza, continuavam sendo poderosos, e seus filhos também, e seus netos, e assim por diante. Não havia merecimento ou trabalho duro, era uma questão de nascimento. Mas, é claro, nem todos estavam felizes com essa história de reis que mandavam sem nenhuma lei, sem constituição, que determinavam seus próprios juízes e diziam que Deus é que tinha os posto ali. Nem todos gostavam desses reis controlando as atividades econômicas de seus países e de suas colônias, guardando todas as riquezas nos seus castelos e cobrando impostos absurdos da população. É, esse pessoal que não gostava queria ter poder também, queria um governo que atendesse seus pedidos, queria fazer comércio na boa, sem restrições. E esse pessoal era justamente a burguesia, que hoje podemos dizer que são os donos das empresas, de fábricas, de construtoras, de grandes lojas. Não esqueçam esse nome, burguesia. Sem burguesia, não há capitalismo.
Antes de começarmos a falar do plano das ações, marcadas pela Revolução Francesa, vamos falar do plano das idéias, um plano que, no século XVIII seguia algumas tendências que nos levaram a chamar o período de iluminismo. Mas o que foi o iluminismo? O Iluminismo é, para sintetizar, uma atitude geral de pensamento e de ação. Os iluministas admitiam que os seres humanos estão em condição de tornar este mundo um mundo melhor - mediante introspecção, livre exercício das capacidades humanas e do engajamento político-social. Ou seja, os iluministas, independente de sua área de atuação, a sociedade, a economia, a política, a ciência ou as artes, defendiam que era preciso usar a razão para se construir um mundo melhor. Essa razão, a iluminação, o esclarecimento, era a melhor ferramenta que temos para ler o mundo e podermos torna-lo um lugar melhor, em oposição a religião e o misticismo que dominou a idade média. O Iluminismo exerceu vasta influência sobre a vida política e intelectual da maior parte dos países ocidentais. A época do Iluminismo foi marcada por transformações políticas tais como a criação e consolidação de estados nação, a expansão de direitos civis, e a redução da influência de instituições hierárquicas como a nobreza e a igreja. Para os filósofos iluministas, o homem era naturalmente bom, porém, era corrompido pela sociedade com o passar do tempo. Eles acreditavam que se todos fizessem parte de uma sociedade justa, com direitos iguais a todos, a felicidade comum seria alcançada. Por esta razão, eles eram contra as imposições de caráter religioso, contra as práticas mercantilistas, contrários ao absolutismo do rei, além dos privilégios dados a nobreza e ao clero.
Alguns dos principais autores iluministas foram Jean Jacques Rousseau, que vai falar da idéia de um estado democrático que garanta igualdade para todos, Montesquieu, que vai falar da divisão do poder em três, o legislativo, o judiciário e o executivo, e o Voltaire, que vai falar da liberdade de pensamento com sua famosa frase “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.”
Os burgueses foram os principais interessados nesta filosofia iluminista, pois, apesar do dinheiro que possuíam, eles não tinham poder em questões políticas devido a sua participação limitada. Naquele período, o Antigo Regime ainda vigorava na França, por exemplo, e, nesta forma de governo, o rei detinha todos os poderes. Uma outra forma de impedimento aos burgueses eram as práticas mercantilistas, onde, o governo interferia ainda nas questões econômicas, e aí está justamente a ligação do iluminismo com a revolução francesa.
Guardaram bem? Na França é que esses burgueses ficaram mais indignados com o rei que abusava do seu povo na maior e ninguém controlava, foi na França que esses burgueses se uniram e resolveram mudar o rumo da história tomando por base os ideais iluministas. Assim começou a Revolução Francesa. Em 1789, final do século XVIII, a burguesia se uniu, na figura dos Jacobinos com o povo, os ditos sans-cullottes, que em portugês seria os sem calção , que era a calça usada pelos nobres da época. Na velha ordem, aquela que os revolucionários queriam derrubar os burgueses e o resto do povo faziam parte da terceira camada da sociedade, sendo a primeira o clero, não é, os padres, e a segunda a nobreza. Esse terceiro Estado queria desfazer essa classificação, queria acabar com os super poderes do clero, e fazer eles serem subordinados ao governo Frances e queriam acabar com essa nobreza absolutista na qual não havia regras. Assim, esse terceiro estado unido iniciou a revolução, sem objetivos bem claros, a não ser o de que aquela Velha Ordem deveria ser destruída. Começou-se a primeira fase da Revolução destruindo a Bastilha, uma prisão que abrigava todos aqueles que o rei julgava culpados, um símbolo do absolutismo do rei e instaurando-se a Assembléia Nacional Constituinte, que é o nome dessa primeira fase da Revolução. NA Assembléia Nacional Constituinte aboliram-se os privilégios da nobreza, subordinou-se o clero ao estado revolucionário Frances por meio da Constituição Civil do Clero e aprovou-se a Declaração dos Direitos do Homem e do cidadão, que pregava os três ideais da revolução Liberdade, Igualdade e Fraternidade. O rei, aquele todo metido da imagem, o Luis xvi, jurou obedecer a constituição que foi criada, ou seja, manteve-se uma monarquia constitucional.
Depois da surpresa inicial, começam as tentativas de resposta de outros países que mandam tropas para França, mas não tem sucesso. Em Paris, motins, revoltas, confusão e uma população faminta que não havia ainda sido ouvida e não gostava da idéia de monarquia constitucional. Assim, como resposta a toda instabilidade e os poucos resultados obtidos pela manutenção da monarquia inaugura-se um novo período na Revolução, liderado pela parte mais radical da burguesia, os Jacobinos, que é mais próxima do povo.
A terceira fase inicia-se com a levada do rei Luis xvi à guilhotina, sabem? Aquela serra que você bota a cabeça e eles arrancam sua cabeça fora. Não se queria mais nenhum resquício da velha ordem, e é preciso consolidar a primeira república francesa. Mas aí vem o X da questão. Revolução, bem, mas até então não para o povo. E aí entram os Jacobinos, que governam radicalmente, liderados por Robespierre, que instaura o Comite de Salvação Publica e o Comite de Segurança Nacional, além da Lei do Preço Máximo que congelou o preço dos alimentos, deixando bem claro pra quem era o governo Jacobino. Nesse período contra-revolucionários, artistocratas e todos considerados excessivamente moderados foram perseguidos e executados, o que fez o período ser chamado de Grande Terror.
É claro que a alta burguesia não estava gostando dessa história de ser amigo do povo, nome do principal jornal do período jacobino, eles não queriam tanta igualdade assim. Por isso há a resposta Termidoriana, que depõe robespierre e coloca no poder a alta e média burguesia, instaurando a fase do Diretório. Quem mandava agora, quem fazia parte do governo e criava os partidos eram burgueses, os camponeses famintos e outros trabalhadores continuavam subjugados, sem terra, com fome, sem poder, e assim continuariam por muito tempo... Agora todos votam, opa, todos não, só os homens, mas ainda tem muita gente infeliz.
A coisa não estava tão boa assim, partidos que dividiam o poder, grandes burgueses que dividiam o país com pequenos burgueses brigavam entre si o tempo todo. O país estava em crise econômica, não possuía uma administração consistente, sofria contra-revoluções dos nobres franceses e também de outros países, não estava fácil segurar a revolução. A burguesia no poder definiu então que precisava de ordem, e, mantendo as conquistas obtidas no processo revolucionário, a burguesia coloca Napoleão no poder. Lembrem-se que, apesar de ser das forças armadas, de ser um homem só e extremamente poderoso, não houve retrocesso para um novo absolutismo, não, Napoleão governava com constituição.
O governo de Napoleão então inicia-se com o chamado Consulado, no qual Napoleão dividia o poder com mais dois governantes, durante o período ele criou o Código Civil, uma legislação que consolidou as conquistas revolucionárias, como por exemplo o estabelecimento da propriedade privada inviolável e incentivou a industrialização, promovendo um reaquecimento da economia francesa.
Bom, aí vem mais um problema, quando fazem de Napoleão um imperador. De 1804 a 1815 Napoleão governa a França com mãos de ferro, promovendo o crescimento, mas buscando a expansão territorial, para supostamente levar os ideais da revolução francesa para outras nações. É nessa expansão então que a França invade a Espanha, tenta invadir a Inglaterra e invade Portugal, levando a toda história do 1808 que fez a família real portuguesa fugir para o Brasil, mas aí é outra história. O ponto é que o negocio fica feio pro lado do Bonaparte, pois suas invasões não tiveram grande sucesso e a Inglaterra o derrotou seriamente. Napoleão é posto em exílio e morre, levando a França a continuar sua história com outros governantes e desenvolver-se no seu capitalismo, tornando-a o que é hoje, um país rico e desenvolvido.
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