quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Revolução Francesa - Aula

Bom, hoje vamos começar falando do surgimento da nossa sociedade capitalista moderna. Como vocês sabem, o Brasil foi colonizado por Portugal, e, para entendermos o funcionamento da nossa sociedade brasileira hoje precisamos entender como ela se constituiu, começando pelo entendimento da vida na Europa, o que nos foi trazido pelos grandes navegadores.
Nossa sociedade é capitalista. Vocês sabem o que é o capitalismo? O capitalismo é o sistema econômico predominante no mundo, é como funciona a economia de países como o nosso e os Estados Unidos, por exemplo. Esse sistema se baseia na exploração do trabalho, ou seja, o trabalhador vende sua atividade por um salário, para produzir bens que originalmente pertencem a um patrão e que serão então vendidos no mercado. Eu e vocês estamos introduzidos nesse sistema capitalista, por exemplo, eu amanhã posso estar trabalhando em uma fábrica, produzindo um parafuso, e esse parafuso vai ser vendido pelo meu chefe para um mercado por um determinado preço. Esse preço vai incluir o custo de produzir o parafuso, ou seja, quanto custou o ferro e tudo o mais do que é feito um parafuso mais o que eu cobrei para fazer esse ferro tornar-se um parafuso. Além do custo de produção, o patrão, dono da fábrica vai incluir no preço de venda do parafuso o valor do seu lucro desejado, ou seja, a diferença entre o preço de produção do parafuso e seu preço de venda. E assim o sistema capitalista se forma, com várias pessoas que produzem muitos objetos e serviços e várias pessoas que compram muitos produtos e serviços, vendendo outros. Esse é o ciclo do capitalismo, mas a parte ruim desse, que é bem grande, nós falaremos na próxima aula.
O que nos importa agora é pensar como que esse sistema capitalista, no qual a classe mais rica, que coordena esse sistema, é a burguesia surgiu. O mundo é muito velho, e a história longuíssima, então vamos começar do momento em que esse grupo de burgueses passa a querer ser o grupo dominante no lugar da aristocracia. Todo mundo já ouviu uma história de princesas e reis, não? O Shrek por exemplo, virou rei de tão tão distante, e por que ele virou rei? Bom, não foi por que ele era bonito, nem por que ele era inteligente, muito menos por que tinha uma fábrica de casas do pântano que o fez ganhar muito dinheiro, foi por que ele se casou com a princesa, ou seja, a filha do rei. E era assim que as coisas funcionavam até quase 1800 na Europa. As pessoas que nasciam nos castelos, em berço de ouro, filhos, netos, sobrinhos de poderosos, os chamados aristocratas, ou, a nobreza, continuavam sendo poderosos, e seus filhos também, e seus netos, e assim por diante. Não havia merecimento ou trabalho duro, era uma questão de nascimento. Mas, é claro, nem todos estavam felizes com essa história de reis que mandavam sem nenhuma lei, sem constituição, que determinavam seus próprios juízes e diziam que Deus é que tinha os posto ali. Nem todos gostavam desses reis controlando as atividades econômicas de seus países e de suas colônias, guardando todas as riquezas nos seus castelos e cobrando impostos absurdos da população. É, esse pessoal que não gostava queria ter poder também, queria um governo que atendesse seus pedidos, queria fazer comércio na boa, sem restrições. E esse pessoal era justamente a burguesia, que hoje podemos dizer que são os donos das empresas, de fábricas, de construtoras, de grandes lojas. Não esqueçam esse nome, burguesia. Sem burguesia, não há capitalismo.
Antes de começarmos a falar do plano das ações, marcadas pela Revolução Francesa, vamos falar do plano das idéias, um plano que, no século XVIII seguia algumas tendências que nos levaram a chamar o período de iluminismo. Mas o que foi o iluminismo? O Iluminismo é, para sintetizar, uma atitude geral de pensamento e de ação. Os iluministas admitiam que os seres humanos estão em condição de tornar este mundo um mundo melhor - mediante introspecção, livre exercício das capacidades humanas e do engajamento político-social. Ou seja, os iluministas, independente de sua área de atuação, a sociedade, a economia, a política, a ciência ou as artes, defendiam que era preciso usar a razão para se construir um mundo melhor. Essa razão, a iluminação, o esclarecimento, era a melhor ferramenta que temos para ler o mundo e podermos torna-lo um lugar melhor, em oposição a religião e o misticismo que dominou a idade média. O Iluminismo exerceu vasta influência sobre a vida política e intelectual da maior parte dos países ocidentais. A época do Iluminismo foi marcada por transformações políticas tais como a criação e consolidação de estados nação, a expansão de direitos civis, e a redução da influência de instituições hierárquicas como a nobreza e a igreja. Para os filósofos iluministas, o homem era naturalmente bom, porém, era corrompido pela sociedade com o passar do tempo. Eles acreditavam que se todos fizessem parte de uma sociedade justa, com direitos iguais a todos, a felicidade comum seria alcançada. Por esta razão, eles eram contra as imposições de caráter religioso, contra as práticas mercantilistas, contrários ao absolutismo do rei, além dos privilégios dados a nobreza e ao clero.
Alguns dos principais autores iluministas foram Jean Jacques Rousseau, que vai falar da idéia de um estado democrático que garanta igualdade para todos, Montesquieu, que vai falar da divisão do poder em três, o legislativo, o judiciário e o executivo, e o Voltaire, que vai falar da liberdade de pensamento com sua famosa frase “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.”
Os burgueses foram os principais interessados nesta filosofia iluminista, pois, apesar do dinheiro que possuíam, eles não tinham poder em questões políticas devido a sua participação limitada. Naquele período, o Antigo Regime ainda vigorava na França, por exemplo, e, nesta forma de governo, o rei detinha todos os poderes. Uma outra forma de impedimento aos burgueses eram as práticas mercantilistas, onde, o governo interferia ainda nas questões econômicas, e aí está justamente a ligação do iluminismo com a revolução francesa.
Guardaram bem? Na França é que esses burgueses ficaram mais indignados com o rei que abusava do seu povo na maior e ninguém controlava, foi na França que esses burgueses se uniram e resolveram mudar o rumo da história tomando por base os ideais iluministas. Assim começou a Revolução Francesa. Em 1789, final do século XVIII, a burguesia se uniu, na figura dos Jacobinos com o povo, os ditos sans-cullottes, que em portugês seria os sem calção , que era a calça usada pelos nobres da época. Na velha ordem, aquela que os revolucionários queriam derrubar os burgueses e o resto do povo faziam parte da terceira camada da sociedade, sendo a primeira o clero, não é, os padres, e a segunda a nobreza. Esse terceiro Estado queria desfazer essa classificação, queria acabar com os super poderes do clero, e fazer eles serem subordinados ao governo Frances e queriam acabar com essa nobreza absolutista na qual não havia regras. Assim, esse terceiro estado unido iniciou a revolução, sem objetivos bem claros, a não ser o de que aquela Velha Ordem deveria ser destruída. Começou-se a primeira fase da Revolução destruindo a Bastilha, uma prisão que abrigava todos aqueles que o rei julgava culpados, um símbolo do absolutismo do rei e instaurando-se a Assembléia Nacional Constituinte, que é o nome dessa primeira fase da Revolução. NA Assembléia Nacional Constituinte aboliram-se os privilégios da nobreza, subordinou-se o clero ao estado revolucionário Frances por meio da Constituição Civil do Clero e aprovou-se a Declaração dos Direitos do Homem e do cidadão, que pregava os três ideais da revolução Liberdade, Igualdade e Fraternidade. O rei, aquele todo metido da imagem, o Luis xvi, jurou obedecer a constituição que foi criada, ou seja, manteve-se uma monarquia constitucional.
Depois da surpresa inicial, começam as tentativas de resposta de outros países que mandam tropas para França, mas não tem sucesso. Em Paris, motins, revoltas, confusão e uma população faminta que não havia ainda sido ouvida e não gostava da idéia de monarquia constitucional. Assim, como resposta a toda instabilidade e os poucos resultados obtidos pela manutenção da monarquia inaugura-se um novo período na Revolução, liderado pela parte mais radical da burguesia, os Jacobinos, que é mais próxima do povo.
A terceira fase inicia-se com a levada do rei Luis xvi à guilhotina, sabem? Aquela serra que você bota a cabeça e eles arrancam sua cabeça fora. Não se queria mais nenhum resquício da velha ordem, e é preciso consolidar a primeira república francesa. Mas aí vem o X da questão. Revolução, bem, mas até então não para o povo. E aí entram os Jacobinos, que governam radicalmente, liderados por Robespierre, que instaura o Comite de Salvação Publica e o Comite de Segurança Nacional, além da Lei do Preço Máximo que congelou o preço dos alimentos, deixando bem claro pra quem era o governo Jacobino. Nesse período contra-revolucionários, artistocratas e todos considerados excessivamente moderados foram perseguidos e executados, o que fez o período ser chamado de Grande Terror.
É claro que a alta burguesia não estava gostando dessa história de ser amigo do povo, nome do principal jornal do período jacobino, eles não queriam tanta igualdade assim. Por isso há a resposta Termidoriana, que depõe robespierre e coloca no poder a alta e média burguesia, instaurando a fase do Diretório. Quem mandava agora, quem fazia parte do governo e criava os partidos eram burgueses, os camponeses famintos e outros trabalhadores continuavam subjugados, sem terra, com fome, sem poder, e assim continuariam por muito tempo... Agora todos votam, opa, todos não, só os homens, mas ainda tem muita gente infeliz.
A coisa não estava tão boa assim, partidos que dividiam o poder, grandes burgueses que dividiam o país com pequenos burgueses brigavam entre si o tempo todo. O país estava em crise econômica, não possuía uma administração consistente, sofria contra-revoluções dos nobres franceses e também de outros países, não estava fácil segurar a revolução. A burguesia no poder definiu então que precisava de ordem, e, mantendo as conquistas obtidas no processo revolucionário, a burguesia coloca Napoleão no poder. Lembrem-se que, apesar de ser das forças armadas, de ser um homem só e extremamente poderoso, não houve retrocesso para um novo absolutismo, não, Napoleão governava com constituição.
O governo de Napoleão então inicia-se com o chamado Consulado, no qual Napoleão dividia o poder com mais dois governantes, durante o período ele criou o Código Civil, uma legislação que consolidou as conquistas revolucionárias, como por exemplo o estabelecimento da propriedade privada inviolável e incentivou a industrialização, promovendo um reaquecimento da economia francesa.
Bom, aí vem mais um problema, quando fazem de Napoleão um imperador. De 1804 a 1815 Napoleão governa a França com mãos de ferro, promovendo o crescimento, mas buscando a expansão territorial, para supostamente levar os ideais da revolução francesa para outras nações. É nessa expansão então que a França invade a Espanha, tenta invadir a Inglaterra e invade Portugal, levando a toda história do 1808 que fez a família real portuguesa fugir para o Brasil, mas aí é outra história. O ponto é que o negocio fica feio pro lado do Bonaparte, pois suas invasões não tiveram grande sucesso e a Inglaterra o derrotou seriamente. Napoleão é posto em exílio e morre, levando a França a continuar sua história com outros governantes e desenvolver-se no seu capitalismo, tornando-a o que é hoje, um país rico e desenvolvido.

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