quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Proclamação da República, República Velha e Era Vargas

Vimos na aula passada o fim da escravidão. A abolição não foi algo isolado naquele momento histórico pro Brasil, fazia parte de toda uma iniciativa de modernização, uma vontade de crescimento dos nascentes burgueses, impulsos por participação política dos proprietários de terra, enfim. Inclusive, em 1870 vai surgir o Partido republicano, que vai ganhar muitos adeptos no sudeste. Várias questões incomodavam os mais críticos da elite, o Estado e a Igreja continuarem juntos era visto como um grave problema. Houve também a Guerra do Paraguai, da qual o Brasil saiu vitorioso e os participantes com idéias republicanas, o exército voltou mais forte e coeso, desgosto dos poucos privilégios e liberdade que tinham no regime monárquico, que privilegiava a Guarda Nacional (organização para militar sustentada pelos grandes latifundiários e coronéis). O imperador D. Pedro II até tentou fazer algumas reformas liberais, mas as pressões pela república eram muito fortes e, em 1889 estourou o golpe da república, liderado pelo Marechal Deodoro da Fonseca. A novíssima republica pregava a ordem e o progresso, separou a igreja do estado, modificou-se o ensino e os símbolos monárquicos por novos símbolos republicanos. Mas, como na independência, pra grande maioria nada mudou, não participaram e pouco foram afetados pelas mudanças.
Esse período inicial da Republica, que vai durar até os anos 30 com o governo de Vargas, vai ser chamado de republica das oligarquias. O que é oligarquia, é o poder nas mãos de poucos, os ricos, donos de terras, normalmente com títulos de coronéis controlavam o voto dos seus estados e queriam autonomia para seus estados. A gente vai chamar aí esse voto controlado, que se você não votasse no coronel ela mandava o capanga te matar era chamado o voto de cabresto. Durante a primeira republica, no governo de Deodoro da Fonseca o ministro da fazenda na época Rui Barbosa quis incentivar a industrialização dando crédito livre a quem se propusesse a abrir uma industria. A política não deu muito certo, muitas empresas fantasmas foram criadas, houve inflação, criou-se a chamada crise do encilhamento. A Deodoro da Fonseca seguiu-se Floriano Peixoto, também militar, e a ele seguiu-se Prudente de Moraes, o primeiro não-militar, que representava o interesse dos cafeicultores. Durante o governo de Prudente de Moraes ocorreu no sertão da Bahia algo inédito. Um religioso, Antonio Conselheiro convenceu multidões a formarem uma comunidade chamada Canudos, na qual as pessoas viveriam igualmente, plantando e colhendo e rezando, uma alternativa às suas vidas de miséria. Bom, como essas pessoas eram trabalhadores quase escravos das grandes propriedades do nordeste os donos das terras logo acionaram o governo federal acusando Canudos de um movimento monarquista, ou seja, que queria a volta do rei, que desafiava a autoridade do presidente da republica e mais. Logo o presidente enviou tropas e destruiu a comunidade, matando muitos.
Bom gente, a economia continuava liderada pelo café, e a extração da borracha na região norte também crescia. O governo alternava entre presidentes mineiros e presidentes paulistas, no que era chamado a política do café com leite, já que são Paulo produzia café e minas criava gado. Além disso, a política dos governadores era forte, e era a escolha dos governadores baseado nos interesses do presidente, independente de quem tivesse sido eleito. Os coronéis também continuavam, controlando as cidades, trocando votos por favores. O Café nos anos 20 porém começou a cair, por que as vendas caíram e muito, o Brasil produzia muito, principalmente para a Europa, com a guerra a Europa passou a consumir menos e depois acabou consumindo de outros produtores além do Brasil. O resultado foi uma superprodução de café, que fez com que o governo tivesse que comprar o café extra e queima-lo para normalizar seu preço. A industrialização brasileira vai começar aí nessa época também, por conta da guerra não tínhamos mais de quem importar muitas coisas, por que antes importávamos da Europa. Foi preciso produzir certos produtos então, numa iniciativa que foi chamada substituição de importações. A urbanização nessa época foi enorme também, as pessoas foram buscar empregos nas industrias nascentes, no comércio, na administração publica, no ensino, enfim. As tentativas de modernização eram claras, e as cidades queriam parecer com as cidades européias. No rio vai haver um grande esforço de modernização por exemplo. Uma ocasião conhecida foi quando se tentou vacinar a população obrigatoriamente contra a varíola e o povo não quis se vacinar, por que não sabiam o que era aquilo, tiveram medo e se revoltaram. Ficou conhecido como a revolta da vacina.
Em 1922 houve a semana da arte moderna de são Paulo. Os grandes poetas, escritores, artistas plásticos, pintores, todos se reuniram e mostraram que queriam uma quebra com o passado colonial, queriam um novo Brasil feito pra brasileiros sem a Europa decidindo tudo pela gente. Os poucos operários já se organizavam e queriam direitos trabalhistas, faziam greves e organizavam sindicatos. O Partido Comunista Brasileiro se organizava. Surgem também os movimentos tenentistas, que eram feitos por jovens militares e se manifestavam contra a corrupção, a má administração pública. A Coluna Prestes, liderada por Luis Carlos Prestes, que lá na frente vai se opor a Vargas, também é um movimento tenentista contrario ao governo, mas que também não obteve sucesso.
Os anos 30 entraram com ares de mudança. Muita insatisfação, pouca estabilidade política, disputas pelo poder, até que explodiu o que já era evidente. Getulio Vargas, após um golpe, assume o poder. Seu governo tinha tudo para ser diferente e efetivamente perseguir a modernização. Vargas cria o ministério do trabalho buscando criar legislação trabalhista, quer valorização a Mao de obra brasileira, mas não é democrático, subiu no poder com um golpe, fechou o congresso, nomeou interventores nos governos estaduais.Em 1932 logo surgiu uma contestação, o movimento constitucionalista em são Paulo, querendo um governo liberal e a retirada de Vargas do poder. A resposta de Vargas não foi tão agressiva, visto que esse pessoal que participou do movimento era a classe média e a elite. Em 1934 lança uma Constituição, que oficializa as eleições, o presidencialismo, o federalismo ( a divisão em Estados relativamente autônomos) e a legislação trabalhista. Mas ainda assim, a situação não estava plenamente estável.
Lá na Europa o que tá acontecendo nessa época? Hitler tá no poder, o nazismo tá crescendo de um lado, e a URSS tá funcionando do outro. No Brasil tivemos um espelho disso, tínhamos o Partido Comunista de um lado e o Partido Integralista do outro. O integralismo era uma espécie de nazismo adaptado, que tinha um símbolo, cor, saudação, enfim, e era liderado por Plinio Salgado. O Vargas tava bem mais pro lado dos integralistas que dos comunistas, inclusive um episodio mostra bem isso. Lembram do Luis Carlos Prestes, da Coluna Prestes? Ele virou comunista e se apaixonou por uma moça alemã da liderança trabalhista de lá, a Olga Benário. O Vargas prendeu os dois, mandou a Olga, que tava aqui no Brasil, pra Alemanha, pro campo de concentração, tirou o filho dela e tal, terrível. O Partido Comunista foi colocado na ilegalidade, mas continuava crescendo e o Vargas tinha medo do poder que eles tavam ganhando. Inclusive tentaram uma revolução, mas que fracassou. Um jeito que o Vargas achou de calar o PCB e o Prestes foi inventando uma enorme mentira, com a ajuda do partido integralista. Inventou nos jornais que havia descoberto um plano dos comunistas pra derruba-lo do poder e instalar o comunismo e que, para proteger o país dessa ameaça comunista era preciso entrar numa ditadura comandada por ele. Esperto, não? Declarou estado de guerra e elaborou uma nova constituição, super autoritária, o chamado Estado Novo.
No Estado Novo tínhamos uma ditadura, o Vargas era o centro de tudo. Era o pai dos pobres, fazia políticas ditas populistas pro povo gostar dele, colocou censura na imprensa, a polícia perseguia e prendia quem se opunha a ele, controlava os sindicatos. Mas, apesar de toda a repressão e autoritarismo, nossa economia melhorou bastante na época. Bom, sabiam que participamos da segunda guerra mundial? Poisé, participamos e em troca ganhamos a Companhia Siderurgica Nacional, a CSN aqui em volta Redonda. Houve uma nascente industrialização, o governo incentivava os investimentos.
Bom, mas é claro, as oposições eram fortíssimas, até mesmo dentro do governo. Vargas acabou optando pela abertura política e prometeu eleições, legalizou o partido comunista. Havia os que ainda queriam Vargas no poder, o grupo chamado de queremistas. Vargas acabou saindo do poder, mas foi eleito um novo presidente apoiado por ele, Eurico Gaspar Dutra. Nas eleições seguintes Vargas se candidatou e ganhou, assumindo em 1950. Dessa vez, Vargas veio com a campanha O Petroleo é Nosso, que criou a Petrobrás, incentivou a economia com forte controle do Estado. Nessa época não apenas comunistas eram contra Vargas, ele ainda tinha resquícios de autoritarismo e estava cada vez mais difícil conter a oposição. Uma das maiores oposições vinha de Carlos Lacerda que publicava matérias ácidas na imprensa sobre o presidente. A coisa estoura quando um funcionário da guarda pessoal de Vargas atira contra Carlos Lacerda, no que ficou conhecido como o atentado da Toneleros, aquela rua ali em Copacabana. O cara não acertou e acabou matando um militar que estava com Lacerda. Vargas deixou claro que não ia mais suportar as pressões, quando até mesmo os militares ficaram contra ele. Ele deixa o governo com o suicídio, em 1954, deixando uma carta ao povo brasileiro que dizia que ele saía da vida para entrar na história.
Bom, diz-se que o suicídio foi a última manobra política de Getúlio que fez o país chorar sua morte e enraivecer-se contra oposicionistas. Assume seu vice e depois há eleições normais. É eleito então Juscelino Kubtischek com o vice João Goulart, getulista de carteirinha. Aí o resto fica pra próxima aula.

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