Então, acho que todos aqui sabem que Pedro Alvares Cabral chegou ao Brasil em 1500, diz-se que ele descobriu o Brasil, apesar de que o Brasil não precisava ser descoberto, por que já havia gente aqui, os índios. Mas enfim, hoje não vamos falar do Brasil colônia, vamos falar do fim desse sistema, as crises que acabaram culminando com a independência.
Os brasileiros, e é importante lembrar que nessa época aí, lá no final de 1700, já havia brasileiros, tanto filhos de português quanto filhos de portugueses e índios, e até mesmo filhos de escravos com portugueses, que, continuam sendo escravos, não estavam contentes com a dominação portuguesa. As pessoas queriam poder enriquecer livremente, sem ter que dar satisfações absurdas à coroa. Nessa época aí por exemplo, estávamos no ciclo do ouro, a parte mais rica do país era Minas Gerais, todos procurando ouro por lá, os comerciantes abastecendo, enfim, a prosperidade era algo que podia haver. Mas, quando alguém descobria ouro, a quinta parte do todo pertencia à coroa. E não só em relação ao ouro, os impostos eram muitos e absurdos, em relação ao comércio, aos escravos, a exploração açucareira, do ouro, diamantes, enfim. E não era só a população pobre que estava descontente. A elite também queria crescer, mas não podia vender livremente, não podia explorar livremente os recursos do país, por conta do pacto colonial (lembram o que é o pacto?). Ainda por cima a elite via Portugal nas mãos das grandes potências européias, a Inglaterra e a França. Sabia-se que Portugal não era mais a potência que havia sido. Na Europa, as idéias de liberdade floresciam, lembram que falamos do iluminismo, da revolução francesa? As elites brasileiras tão indo pra Europa estudar, e voltam pensando em liberdade, em progresso, coisas que não combinavam com o mercantilismo, com o colonialismo. E aí as coisas começaram a fervilhar na colônia, diversas pequenas revoltas estouravam contra os impostos, contra efeitos do colonialismo, e algumas revoltas vão surgir questionando o sistema colonial.
A Inconfidência mineira foi a primeira tentativa, organizada pela elite de minas gerais, de mudar a situação. Como eu falei pra vocês, esse pessoal foi pra Europa e voltou, tendo visto a revolução francesa, a revolução industrial, ouvindo falar da independência dos estados unidos da América. Eles também queriam liberdade. Os inconfidentes, dentre eles o famoso Tiradentes, combinaram de realizar a revolta no dia da cobrança da derrama, que era a cobrança dos impostos atrasados. Eles queriam a independência, queriam a instalação de um modelo como o americano, uma república, com eleições gerais periódicas. Mas, como membros da elite que eram, não decidiram nada sobre o que fariam quanto a escravidão. Então, qual foi o resultado? Nem aconteceu. Um dos inconfidentes dedurou os outros, e todo mundo foi preso. O Tiradentes sofreu a pior pena, tendo sido o membro mais simplório do grupo, teve seu corpo esquartejado e espalhado pela cidade, para mostrar o que aconteceria a quem tentasse se revoltar contra a coroa.
Uma outra tentativa de romper com a ordem foi a conjuração, ou inconfidência baiana. Essa revolta tinha um caráter popular, dela participavam soldados e outros membros da classe mais pobre. Assim, eles defendiam a liberdade, a igualdade social, e o fim da escravidão. A revolta se daria por meio da divulgação de panfletos e idéias revolucionárias, assim, o governador da Bahia acabou por descobrir as movimentações e prendeu diversos membros. Assim, mais uma revolta, também chamada de conjuração dos alfaiates, foi frustrada.
Bom, essas revoltas só mostraram a insatisfação tanto das elites quanto do povo com o sistema colonial, com a impossibilidade de liberdade, com os impostos, com a subordinação a um país europeu decadente. Então gente, vamos voltar só um pouquinho lá pra Europa. Estamos aí em 1800, alguém lembra o que tava acontecendo na frança nessa época? Revolução francesa tinha começado em 1789, agora, a frança estava no domínio de Napoleão, e lembram que eu disse que o Napoleão saiu se expandindo? Então, ele chegou na porta de Portugal, e a família real portuguesa, entre eles D. João VI, foi aconselhada pela Inglaterra, que tava lutando contra Napoleão, a fugirem pro Brasil. Então, em 1808 a família real e grande parte da corte portuguesa chegam ao Brasil. Aí as coisas começam a mudar, pelas próprias mãos do príncipe regente, eu digo príncipe regente e não rei por que a rainha ainda era viva, a Maria, a Louca, mas não governava mais por que tinha enlouquecido. D. João VI declarou o Brasil parte do Reino Unido de Portugal e Algarves, ou seja, o Brasil passou a ter status igual ao português, os portos brasileiros foram abertos às nações que tivessem relações com Portugal, e aí vemos a entrada dos produtos ingleses com tudo no Brasil. Portugal estava na mão dos ingleses, o Brasil também ficou. E aí estava tudo na boa por aqui, lá em Portugal o pessoal queria que o rei, que virou rei quando a Maria louca morreu, voltasse, e aí o negócio ficou feio. Em 1820 uma revolta lá em Portugal exigiu o retorno do rei e a recolonização, o D. João VI voltou, mas seu filho D. Pedro ficou. Ele tendo ficado, uma maioria dos brasileiros queria a independência, havia fortes pressões. D. Pedro então declara, em 7 de setembro de 1822 a independência, mantendo a monarquia, a escravidão, e as desigualdades. Pouco mudou, mas nos tornamos independentes.
Bom, então se as coisas não mudaram de verdade, as revoltas continuaram. Uma das principais revoltas desse período vai ser a confederação do equador em 1824. Essa revolta foi uma tentativa de secessão de alguns estados do nordeste, dentre eles o Ceará e Pernambuco. A radicalização do movimento foi feita pelos setores mais populares, e, inclusive, foi proposto o fim da escravidão. Eles queriam uma república, eram liberais. Bom, é claro, a repressão foi rápida e pesada.
No primeiro império, de D. Pedro I, houve a Guerra do Paraguai, a população não estava nada satisfeita com o governo, que enfrentava dificuldades econômicas e políticas e uma mão pesada e autoritária do imperador, além disso, o imperador se envolvia com questões da nobreza portuguesa, e isso assustava os brasileiros.Assim, D. Pedro I abdicou do trono, e voltou pra Portugal, deixando seu filho o outro Pedro na regência. Iniciou-se então o período regencial, que foi extremamente instável, e nele houve várias novas revoltas. Dentre elas a sabinada, a cabanagem, a sabinada, a balaiada, a revolta dos malês e a farroupilha.
Todas as revoltas receberam forte repressão, e, quando D. Pedro II atingiu uma maioridade que inclusive foi antecipada, a estabilidade retornou minimamente, inclusive com a expansão da economia cafeeira. No vale do Paraíba o café crescia, as elites enriqueciam. Mão de obra escrava, grandes propriedades baseadas na monocultura, ou seja, com um só produto. Mas as coisas começaram a mudar em relação a mão de obra.
O Brasil já havia assinado algumas leis internacionais reduzindo o trafico. A lei Eusébio de Queiroz, que proibia o tráfico internacional de escravos, o que aumentou o preço dos escravos, a lei do sexagenário, que libertava escravos maiores de 60 anos. Vários movimentos já estavam sendo feitos em direção a abolição, mas a efetiva abolição só foi feita em 1888. Era preciso buscar alternativas, que mesmo antes da abolição já estavam sendo buscadas, e a alternativa foi os imigrantes que vinham da Europa. Italianos, principalmente, vinham buscando melhores opções de vida. Vinham trabalhar no cultivo do café, e foram quase escravos, afinal os donos das terras estavam acostumados com escravos. Logo se fez uma lei, a Lei da Terra, que proibia os imigrantes de se apropriarem de terras.
Enfim, resumindo, o país tinha mudado, não havia mais escravos, apesar de que os negros passaram um bom sem opções melhores do que trabalhar em condições quase escravos, assim como os imigrantes. Eramos uma monarquia, cujo imperador era D. Pedro II, produzíamos café e exportávamos para o mundo.
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